MORTE | O que aconteceu com Paulinho? Indígena Xukuru é encontrado morto após 21 dias desaparecido em Pesqueira
Corpo foi localizado na Serra do Ororubá, após três semanas de angústia e buscas. Família aguarda esclarecimentos sobre a morte, enquanto amigos e moradores manifestam tristeza e cobram respostas nas redes sociais.
Por Flávio José Jardim
atualizado há 4 horas
Publicado em
PESQUEIRA (PE) – O que realmente aconteceu com Paulinho? Essa é a pergunta que familiares, amigos e moradores de Pesqueira fazem desde a manhã da terça-feira, 13 de outubro de 2026, quando o indígena Xukuru Paulo Ferreira Messias, conhecido carinhosamente como Paulinho, foi encontrado morto na região da Aldeia Lagoa, na Serra do Ororubá. Desaparecido havia 21 dias, ele foi localizado em uma área de vegetação, encerrando uma longa espera da família, mas deixando uma dúvida angustiante: qual foi a verdadeira causa de sua morte?
O desaparecimento começou aproximadamente no dia 22 de setembro, quando Paulo saiu de casa e não retornou. A ausência prolongada provocou preocupação entre familiares, que passaram a procurar notícias de seu paradeiro. Os dias se transformaram em semanas, e a esperança de encontrá-lo com vida permaneceu até a confirmação da tragédia. Durante esse período, parentes realizaram buscas na tentativa de descobrir o que havia acontecido.
Segundo informações prestadas por seu irmão, Valdeci Ferreira, em entrevistas aos repórteres Adielson Galvão e Reginaldo Souza, Paulinho já havia saído de casa em outras duas ocasiões. Valdeci relatou também que o irmão enfrentava problemas de depressão, uma condição que aumentava a preocupação da família diante do desaparecimento. Apesar desse histórico, ainda não existem informações conclusivas sobre as circunstâncias que levaram à morte.
A notícia mais temida chegou na terça-feira (13). O corpo foi localizado em uma região de vegetação na Aldeia Lagoa, território indígena Xukuru, na zona rural de Pesqueira. Conforme um dos relatos divulgados, um vizinho encontrou o corpo e acionou as autoridades. O cadáver estava em avançado estado de decomposição, circunstância que reforça a necessidade de exames periciais para esclarecer o que aconteceu.
Em entrevista, Valdeci Ferreira levantou a possibilidade de que o irmão tenha morrido em consequência da falta de água e alimentos durante o período em que permaneceu desaparecido. Essa hipótese, entretanto, representa uma suspeita familiar e não uma conclusão médica ou policial. Até agora, não há confirmação de que fome, sede, violência ou qualquer outra circunstância específica tenha provocado a morte de Paulinho.
O caso passou a ser acompanhado pela Delegacia de Polícia de Pesqueira, responsável pelos procedimentos de investigação. O encaminhamento do corpo ao Instituto de Medicina Legal (IML), em Caruaru, também foi mencionado nas reportagens sobre a ocorrência. A expectativa é que os exames e as diligências contribuam para esclarecer a causa do falecimento e reconstruir os últimos momentos de vida do indígena.
A morte de Paulinho provocou forte comoção nas redes sociais, principalmente entre pessoas que o conheciam e guardavam lembranças de sua convivência. Uma das manifestações mais emocionantes foi publicada por Thiago Torres de Lima, que recordou a amizade e os momentos compartilhados. “Eita Paulo… vais ficar pra sempre em minha memória, pois você fez parte de minha história”, escreveu. Thiago também manifestou a esperança de que o amigo finalmente encontrasse paz, encerrando sua homenagem com a lembrança de um encontro para tomar café.
Entre as manifestações, Cleide Maciel destacou o carinho que sentia por Paulinho: “Nossa Paulinho, gostava tanto de conversar com você”. Já Marya Givalda Rodrigues resumiu sua lembrança em poucas palavras: “Um ser humano incrível”. Burgosval Burgos também demonstrou tristeza ao recordar a vítima, enquanto Graça Alvez se despediu desejando que Paulinho descansasse em paz. As mensagens revelam a presença que ele tinha na memória de amigos e conhecidos.
A repercussão também foi marcada por perguntas. Matthew's Levi quis saber a causa da morte e recordou que costumava ver Paulo passando de chapéu em frente ao local onde trabalhava. Nida Souza também questionou o que havia acontecido. Aline Line lembrou que tinha visto uma publicação sobre o desaparecimento e demonstrou surpresa com a notícia. Os comentários mostram que, além da tristeza, permanece entre os moradores o desejo de compreender as circunstâncias da tragédia.
Outro depoimento comovente foi publicado por Maria Risoleide Vieira, que contou ter telefonado para a irmã naquela mesma manhã, procurando notícias sobre Paulinho. Pouco depois, recebeu a confirmação de sua morte. Adeilton Oliveira, que se referiu à vítima como tio Paulinho, deixou uma mensagem de despedida e solidariedade aos familiares. Sandra Lima também lamentou a perda do primo, afirmando que ele faria falta. São manifestações que dão dimensão humana a uma história marcada por 21 dias de incertezas.
A corrente de solidariedade reuniu ainda Isabel Santos, Conceição Freitas, Nininha Alves, Dilma Alves, Ray Limaa, Augusto Galdino, Kátia Teixeira, Eliane Ribeiro, Anderson Xukuru, Maria Lauda, Josy Gomes, Maria José Morais, Cleonice Ricardo e Maria do Socorro, entre muitos outros moradores e internautas. Em comum, as publicações expressaram tristeza, solidariedade à família e mensagens religiosas de conforto. A quantidade de manifestações demonstra como a notícia sensibilizou pessoas de diferentes círculos de convivência.
A morte de Paulinho encerra uma espera dolorosa, mas não responde à principal pergunta: o que aconteceu durante os 21 dias em que esteve desaparecido? Enquanto familiares e amigos enfrentam o luto, o esclarecimento das circunstâncias depende do trabalho das autoridades e dos resultados periciais. Na Serra do Ororubá e em Pesqueira, ficam as lembranças de quem o conheceu, a tristeza de uma despedida inesperada e a esperança de que a família encontre respostas. Paulinho partiu, mas sua história permanece viva na memória daqueles que compartilharam sua caminhada.
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