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NAÇÃO XUKURU | Após ritual da “Busca da Lenha” e de “Encantamento”, Cacique Marcos e Povo Xukuru estiveram no funeral de Bruno Pereira

O Cacique da Tribo Xukuru, Marcos Luidson, incluiu o indigenista assassinado no ritual da “Busca da Lenha” e de “Encantamento” realizado anualmente pelo povo indígena Xukuru, em Pesqueira. O mártir Bruno agora é tratado como “ser encantado”, símbolo de proteção aos Xukurus.

Por Flávio José Jardim atualizado há 4 anos
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NAÇÃO XUKURU | Após ritual da “Busca da Lenha” e de “Encantamento”, Cacique Marcos e Povo Xukuru estiveram no funeral de Bruno Pereira
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PESQUEIRA (PE) – Integrantes da Nação Xukuru, o povo indígena de Pesqueira, acompanhados de Marcos Luidson Araújo, o Cacique Marquinhos, estiveram nos ritos funerais do indigenista Bruno Araújo Pereira, hoje (24 de junho) pela manhã no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, cidade da Região Metropolitana do Recife.

       “A nação Xukuru se fez presente para dar o último adeus ao guerreiro e apoiador da luta dos povos originários, Bruno Pereira. Que os Encantados lhe guiem para o caminho da luz eterna. Nossa luta não vai parar”, desabafou o Cacique Marquinhos.
       O Cacique Marquinhos já trata o indigenista assassinado Bruno Araújo como “Encantado”, porque ontem, 23 de junho, durante a “Busca da Lenha”, tradição anual do povo Xukuru na Vila de Cimbres, também foi realizado um ritual de “encantamento”, onde Bruno se tornou “encantado”, uma espécie de protetor para o povo Xukuru.

BUSCA DA LENHA

       Seguindo a tradição centenária, na manhã desta quinta-feira (23), “saímos em caminhada da Aldeia Santana até o Povoado de Cimbres, onde lá fizemos nosso ritual sagrado (Toré) para agradecer aos nossos ancestrais e as forças do Ororubá, por toda proteção”, explicou o Cacique Marquinhos.

       Os indígenas, repetindo um gesto dos ancestrais, vão à mata em busca de lenha para a queima de uma grande figueira na Vila de Cimbres, um distrito de Pesqueira, integrante do Território demarcado Xukuru. Durante o ritual, o povo Xukuru fez homenagem a Bruno Pereira, indigenista assassinado

       O indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips desapareceram no dia cinco desse mês e tiveram os seus restos mortais encontrados dez dias depois.

       “Não poderia deixar de vir nesse dia de hoje, onde toda Nação Xukuru chora a perda do guerreiro Bruno Araújo”, disse o Cacique Marquinhos, rodeado de índios, ao lado da urna funerária de Bruno, em Paulista, nesta sexta-feira (24).

       O Cacique Marquinhos e uma comitiva saíram de Pesqueira após montar uma grande fogueira na frente da Igreja de Nossa Senhora das Montanhas, na tricentenária Vila de Cimbres, zona rural de Pesqueira.

O ritual da “Busca da Lenha”, que foi aliado ao rito de “Encantamento” reuniu centenas de pessoas na praça da localidade.

 “Seguindo a tradição, foi feita uma grande fogueira na frente da igreja, juntamente com o toré (dança típica) de agradecimento aos nossos ancestrais”, destacou o Cacique.

Durante o ritual, os Xukurus fizeram uma homenagem ao indigenista Bruno Araújo. “Entendemos que agora ele se torna um ‘encantado’ que vai também proteger a Nação Xukuru”, frisou o cacique.

       A comitiva do povo Xukuru de Pesqueira ainda está nas imediações do Cemitério Morada da Paz, em Paulista. Os índios só devem sair após a cremação, que deve ocorrer ainda nesta tarde.

TEXTO: Flávio J Jardim com informações de Henrique Cavalcanti

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