Política

O Adeus ao Rei das Chaves

Dia 23 de julho de 2025, Pesqueira perdeu uma figura rara. Daquelas que parecem esculpidas à mão pelo tempo, pela sabedoria e pela simplicidade dos grandes homens: faleceu o Senhor Satiro Pinheiro de Souza, o nosso eterno Rei das Chaves.

Por Flávio José Jardim atualizado há 1 ano
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O Adeus ao Rei das Chaves

Seu Satiro não era apenas um chaveiro. Era, antes de tudo, um artesão da confiança. De mãos calejadas e alma sensível, abriu portas de ferro e de sentimentos. Era ele quem consertava não só fechaduras, mas também memórias, acalmava urgências, ouvia histórias enquanto moldava pequenas peças de metal. Seu ofício era quase um sacerdócio.

 

Morador do bairro do Prado por décadas, tornou-se ponto de referência, quase patrimônio afetivo da cidade. Quem nunca ouviu falar do Rei das Chaves? Com sua voz serena, sua presença educada e seu jeito de gênio que tudo compreendia e tudo consertava, Satiro atravessou gerações. Tinha algo de mágico. Era homem de ciência prática e poesia escondida. Um pouco gênio, um pouco poeta — e, sem dúvida, completamente humano.

 

Nas rodas de conversa, era lembrado por suas soluções engenhosas, pela honestidade inabalável, pela gentileza com os clientes que viravam amigos. Seu talento era de uma inteligência silenciosa, das que não alardeiam, mas impressionam. Com o mesmo afinco que ajustava engrenagens minúsculas, tratava cada pessoa com o respeito que só os grandes conseguem manter intacto ao longo da vida.

 

Pesqueira amanheceu mais triste. O som da lima contra o metal silenciou. O ofício perdeu seu mestre. O bairro do Prado, sua figura mais ilustre. A cidade inteira, um símbolo de dignidade e sabedoria.

 

Mas aqueles que, um dia, cruzaram com o senhor Satiro — mesmo que só uma vez — guardam uma chave em si: a chave do exemplo, da integridade, da gentileza que não envelhece, da inteligência que serve e não se exibe.

 

Que Deus, agora,  abra-lhe  a última e mais bonita porta. Vá em paz, mestre das fechaduras e das palavras não ditas. O céu ganhou mais um poeta disfarçado de chaveiro. Pesqueira jamais esquecerá do seu Rei das Chaves.

 

Galba Macêdo

24/07/2025

 

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satiros
satiros (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

satiro
satiro (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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