Política

O “Trump mineiro” que chamou atenção nas urnas, mas terminou a eleição com 161 votos

Plínio Trump apostou na semelhança com o presidente dos Estados Unidos, adotou o sobrenome do republicano no nome de urna e entrou na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados

Por Flávio José Jardim atualizado há 7 horas
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O “Trump mineiro” que chamou atenção nas urnas, mas terminou a eleição com 161 votos

A política brasileira voltou a produzir uma daquelas histórias que chamam atenção muito além das urnas. Em Minas Gerais, um candidato que praticamente transformou a própria semelhança física com Donald Trump em identidade política tentou chegar à Câmara dos Deputados. O resultado, porém, ficou muito distante de uma eleição: Plínio Vicentin Junior, o “Plínio Trump”, recebeu 161 votos e não foi eleito.

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Piloto de aviação comercial e morador de Varginha, no Sul de Minas, Plínio, de 60 anos, entrou na disputa pelo partido Novo. Seu nome de urna foi escolhido justamente em referência ao presidente norte-americano, com quem possui semelhança física, principalmente pelo cabelo claro penteado de lado.

Mas a história começou antes da campanha eleitoral. Segundo relato dado por Plínio à revista Veja, o apelido “Trump” surgiu entre amigos por volta de 2014, quando a semelhança com o político americano começou a ser comentada em um grupo de WhatsApp. Anos depois, o apelido acabou chegando à urna eletrônica. E não ficou apenas no nome.

Durante a campanha, Plínio também utilizou referências ao universo político de Donald Trump. Uma delas foi a adaptação do conhecido slogan americano “Make America Great Again” para “Make Minas Great Again”.

O candidato também declarou simpatia pelo presidente americano e chegou a defender algumas de suas políticas. Em entrevista à Veja, afirmou apoiar o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e declarou que votaria em Romeu Zema para presidente. Também manifestou desconfiança em relação às urnas eletrônicas, embora tenha disputado normalmente a eleição.

Outra curiosidade da trajetória de Plínio é que sua aproximação com a política não começou agora. Ele contou que, em 2001, trabalhou como piloto durante a campanha do então senador Magno Malta, transportando o parlamentar por 65 dias. Foi nesse período, segundo o próprio candidato, que passou a se interessar mais diretamente pela política.

Além da carreira na aviação, Plínio declarou ao Tribunal Superior Eleitoral patrimônio de aproximadamente R$ 1,67 milhão, formado, segundo os registros divulgados, por duas casas, um terreno e dois veículos.

Apesar da enorme curiosidade provocada pelo nome e pela aparência, a estratégia não se converteu em votação expressiva. No primeiro turno realizado em 4 de outubro, o “Trump mineiro” terminou a disputa com 161 votos, ficando fora da lista de deputados federais eleitos por Minas Gerais.

A história de Plínio Trump entra, assim, para o curioso catálogo das eleições brasileiras, em que nomes de urna, apelidos, personagens e referências a celebridades frequentemente ganham espaço no imaginário do eleitor.

Em Minas Gerais, ele dividiu esse universo com candidatos que também escolheram nomes inusitados, como “Drácula”, “Teta do Salão” e “Vovó Tsuname”. Mas, entre todos eles, poucos tiveram uma marca tão diretamente associada a uma personalidade internacional quanto o candidato que tentou levar o sobrenome Trump para dentro da política mineira.

No fim, o nome ganhou visibilidade. A candidatura, entretanto, não conquistou uma cadeira no Congresso.

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