Política

O veneno nas garrafas: cresce o número de casos de intoxicação por bebidas adulteradas

Vítimas se multiplicam em 11 cidades; autoridades tentam conter avanço do metanol

Por Flávio José Jardim atualizado há 10 meses
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O veneno nas garrafas: cresce o número de casos de intoxicação por bebidas adulteradas

O alerta está aceso em Pernambuco. Subiu para 20 o número de casos suspeitos de intoxicação por bebidas alcoólicas adulteradas com metanol, segundo boletim da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE). O dado, divulgado neste domingo (5), acende o sinal vermelho em todas as regiões do estado, revelando um perigo silencioso que ameaça bares, festas e lares pernambucanos.

 

Os casos se espalham de Recife a Mirandiba, passando por cidades do Agreste e da Zona da Mata. A bebida, muitas vezes vendida de forma clandestina e com aparência inofensiva, esconde um veneno letal. Só na Região Metropolitana, Recife já registra cinco investigações e Olinda, outras três. No Agreste, Caruaru, Lajedo, Jupi, Lagoa do Ouro e João Alfredo também aparecem na lista de preocupação da SES-PE.

 

O metanol, substância altamente tóxica, é usado de forma criminosa para baratear a produção de bebidas. Quando ingerido, ataca o sistema nervoso e pode causar cegueira, falência múltipla dos órgãos e até a morte. A gravidade dos casos vem mobilizando hospitais, laboratórios e autoridades sanitárias, que tentam mapear a origem das bebidas adulteradas antes que novas tragédias ocorram.

 

A investigação aponta para um possível esquema de fabricação clandestina em municípios do interior, onde o controle é mais frágil e a fiscalização ainda tímida. Especialistas alertam que o consumo dessas bebidas pode estar ligado a festas populares e pequenos comércios, onde a aparência da garrafa e o preço baixo enganam o consumidor desavisado.

 

Em nota, a SES-PE reforçou que o registro é feito com base no município de residência do paciente, e que equipes estão em campo coletando amostras e monitorando novos sintomas. Enquanto isso, o medo se espalha — e a população é orientada a evitar bebidas sem procedência e denunciar locais suspeitos.

 

O que deveria ser sinônimo de alegria — um brinde, uma comemoração —, tornou-se motivo de desespero. Pernambuco vive agora um tempo de vigilância, em que cada gole pode esconder o perigo invisível do metanol.

 

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b (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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