Operação entre Pernambuco e Piauí erradica plantação de maconha e apreende 740 kg de drogas
Ação inédita entre forças de segurança dos dois estados gera prejuízo milionário ao tráfico e reforça presença nas divisas
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
Publicado em
Em uma das ações mais impactantes já realizadas na região de divisa entre Pernambuco e Piauí, a Polícia Militar, através do BEPI (Batalhão Especializado de Policiamento do Interior), erradicou dois grandes plantios de maconha no município de Dormentes, no Sertão pernambucano. A Operação Divisa Integrada I, iniciada na sexta-feira (6), culminou neste sábado (7) com a apreensão de mais de 740 kg de droga pronta para comercialização e cerca de 37.200 pés da planta, em uma área de difícil acesso.
A operação envolveu mais de 350 agentes das forças de segurança dos dois estados, além do apoio aéreo e da Polícia Federal de Juazeiro (BA). A ação foi planejada com base em informações repassadas pela Companhia de Caatinga da PM da Bahia e teve como objetivo sufocar rotas do tráfico de drogas que cruzam as fronteiras estaduais. O saldo da missão representa um duro golpe para as organizações criminosas que atuam na região.
Segundo o comandante do BEPI, tenente-coronel Alessandro Lopes, o prejuízo estimado ao tráfico é de, no mínimo, um milhão de reais. “Essa foi mais uma ação que demonstra como a integração entre as forças de segurança é essencial para o combate à criminalidade. É um enfrentamento direto ao narcotráfico em uma região historicamente usada como corredor de escoamento da droga”, destacou.
A droga apreendida, acondicionada em 85 sacos, estava pronta para ser comercializada em centros urbanos dos dois estados. Após a erradicação dos plantios — com incineração no próprio local — as amostras e os volumes restantes foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil de Petrolina, onde serão adotadas as medidas legais cabíveis.
Além da apreensão das drogas, a operação resultou também na prisão de suspeitos, na apreensão de quatro armas de fogo e no cumprimento de 14 mandados de prisão. As ações ocorreram de forma simultânea em cidades como Araripina, Ipubi e Dormentes (PE), e Marcolândia, Paulistana, Betânia e Queimada Nova (PI), atingindo pontos estratégicos das rotas do crime.
A Operação Divisa Integrada I foi pensada como uma resposta à crescente criminalidade nas áreas limítrofes entre os estados. O desafio do policiamento nessas regiões, marcado por terrenos inóspitos e baixa densidade populacional, torna essencial a cooperação interestadual, uma estratégia que vem sendo fortalecida pelas secretarias de segurança de ambos os governos.
Especialistas apontam que esse tipo de operação articulada representa o futuro do combate ao crime organizado no interior do país, onde as fronteiras estaduais são frequentemente exploradas por quadrilhas. Ao atacar a estrutura logística e financeira do tráfico, as forças de segurança dificultam não apenas o transporte, mas o financiamento da cadeia criminosa.
A expectativa é de que novas fases da operação sejam deflagradas nos próximos meses, com o objetivo de manter a pressão contra as atividades ilícitas e garantir maior segurança às populações das regiões envolvidas. Para a sociedade civil, o resultado da ação é claro: o crime recua quando o Estado avança com inteligência, força e estratégia.
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