Orquestrão de Frevo de Sanharó: um marco cultural e histórico
Neste 9 de fevereiro, dia em que Pernambuco celebra o Dia do Frevo, Sanharó escreve uma nova página de sua história cultural. A criação do Orquestrão de Frevo reuniu diferentes gerações de músicos em uma iniciativa inédita, promovida pela Secretaria de Cultura, para celebrar e resgatar as memórias vibrantes desse patrimônio pernambucano.
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
Publicado em
SANHARÓ (PE) – O evento é mais do que uma celebração musical; é um manifesto da força cultural de nosso povo e um tributo ao frevo, declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2012.
As ruas de Sanharó foram tomadas por sons que pareciam trazer à tona o espírito carnavalesco que, há mais de um século, embala as ladeiras de Olinda e Recife. O som dos trompetes, trombones, saxofones, caixas, bombos e surdos preencheu a Ladeira da 18 de Copacabana com alegria e emoção, fazendo vibrar não apenas o chão, mas o coração dos foliões. Como diria o mestre Capiba, "não há quem possa resistir à energia do frevo quando ele invade o corpo e a alma".
Esse feito histórico não teria sido possível sem a visão e o esforço do Secretário de Cultura Heraldo Carvalho, também com o apoio do vereador Mô do Pagão e do vice-prefeito Rodrigo Didier, tornaram realidade um sonho coletivo: unir músicos em torno de um propósito maior. Nas palavras do filósofo Friedrich Nietzsche, "sem a música, a vida seria um erro", e este evento reafirma como a música é vital para o desenvolvimento cultural e social de uma cidade.
É digno de nota o frevo composto pelo maestro Niraldo Melo em homenagem a Sr. Eudes, que com seu talento no trombone deixou um legado imensurável. O trabalho do maestro Anderson Rodrigues também merece ser exaltado; com humildade, paciência e paixão pela música, ele aceitou o desafio de liderar esta orquestra com dedicação e grandeza de espírito. Que sua postura nos inspire a sempre colocar a arte e o propósito acima de ambições pessoais.
A história do frevo nos ensina que ele nasceu das ruas, como uma manifestação da resistência e da alegria popular. Ele cresceu entre o passo dos capoeiras e o ritmo das orquestras, simbolizando a luta, a identidade e a força do povo pernambucano. Hoje, em Sanharó, escrevemos mais um capítulo dessa história, provando que a música continua a ser uma ponte entre passado e presente, tradição e inovação.
Por fim, que este evento nos deixe uma lição: o valor da arte não está apenas no reconhecimento financeiro, mas na capacidade de transformar vidas, unir pessoas e preservar memórias. Como dizia o poeta Manuel Bandeira, "o frevo é como a vida: uma luta constante entre o equilíbrio e o movimento". A música é guiada pelo amor, pela coletividade e pelo desejo sincero de fazer história.
Sanharó agradece a todos que, com suor e talento, fizeram deste dia um marco inesquecível. Que o som do frevo ecoe por gerações e que continuemos a honrar este legado com o mesmo fervor que hoje vimos nas ruas. Viva o frevo, viva a música e viva a cultura de Sanharó!
Incorporar
----------------------------------------
Você precisa estar logado para comentar. Por favor, faça login ou crie a sua conta.
Ainda não há comentários para esta notícia. Seja o primeiro a comentar!