Pesqueira votou em 252 candidatos a deputado estadual: o retrato de uma eleição pulverizada
Mais de 32 mil votos foram distribuídos entre 252 nomes. A pergunta que fica é inevitável: afinal, quem realmente representa Pesqueira?
Por Flávio José Jardim
atualizado há 7 horas
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Pesqueira produziu um dos retratos mais curiosos — e politicamente mais reveladores — das eleições de 2026. Ao analisar a votação para deputado estadual no município, a Revista Poder encontrou uma verdadeira pulverização eleitoral: 252 candidatos diferentes receberam pelo menos um voto em Pesqueira, totalizando 32.913 votos. Sim. Duzentos e cinquenta e dois nomes.
De candidatos conhecidos nacionalmente a figuras praticamente desconhecidas do eleitorado local, a urna de Pesqueira foi capaz de registrar votos para uma quantidade impressionante de postulantes à Assembleia Legislativa.
E é justamente aí que começa a parte mais incômoda dessa história. O eleitor pesqueirense não concentrou seus votos apenas em poucos nomes. Ao contrário. Uma parcela significativa da votação se espalhou por uma verdadeira multidão de candidatos. Há candidatos com milhares de votos, outros com centenas, dezenas, poucos votos e até nomes que conseguiram apenas um voto no município.
Um voto. Uma única escolha na urna foi suficiente para colocar determinado candidato na estatística eleitoral de Pesqueira.
Entre os mais votados aparecem nomes como Eriberto Filho, com 6.415 votos; Luciano Duque, com 4.562; Romerinho Jatobá, com 2.791; André Ferreira, com 1.709; Jobson Almeida, com 1.477; Cayo Albino, com 1.353; Rodrigo Farias, com 1.111; Claudiano Filho, com 865; Doriel, com 703; Regina da Saúde, com 697; Jeferson Timóteo, com 679; e Dani Portela, com 609 votos.
Mas a grande curiosidade está justamente no outro extremo da tabela. Pesqueira também deu espaço, nas urnas, para candidatos que receberam apenas um, dois, três, quatro ou cinco votos. É o fenômeno da pulverização eleitoral.
A cidade aparece, nesse recorte, como um grande território aberto para candidaturas de diferentes regiões, partidos, grupos políticos e bandeiras. E isso levanta uma questão que merece ser discutida sem paixão partidária: quantos desses candidatos realmente conhecem Pesqueira? Quantos estiveram na cidade? Quantos apresentaram propostas específicas para o município? Quantos têm compromisso político permanente com o Agreste? Porque uma coisa é receber voto.
Outra, completamente diferente, é representar uma cidade. A quantidade de nomes que recebeu votos em Pesqueira também expõe outro fenômeno: a força das relações pessoais, familiares, profissionais, religiosas, corporativas e políticas na hora da escolha do eleitor. Há voto que acompanha liderança. Há voto que acompanha amizade. Há voto que acompanha promessa. Há voto ideológico. Há voto de gratidão. Há voto estratégico. E há, evidentemente, o voto dado simplesmente porque alguém pediu. No meio dessa gigantesca fragmentação, os números revelam uma realidade dura: quanto mais pulverizada é a votação, mais difícil se torna construir uma representação política municipal forte e concentrada. Pesqueira pode ter votado em 252 candidatos, mas nenhum município consegue cobrar resultados de 252 deputados. A cidade precisa de representantes com compromisso, presença e capacidade de articulação. A eleição, portanto, não termina na contagem dos votos. Começa ali uma discussão muito maior: quem levou votos de Pesqueira e o que pretende fazer por Pesqueira? Porque receber 1 voto é fácil. Receber milhares também pode acontecer. O verdadeiro desafio é transformar voto em compromisso, compromisso em representação e representação em resultados. Os números das urnas deixaram um recado. Pesqueira não votou em poucos. Pesqueira espalhou seus votos por 252 nomes. Agora resta saber quantos desses nomes vão lembrar que receberam votos na cidade quando a eleição já tiver passado. Essa é a pergunta que a política precisa responder.
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