Pesqueirenses descobrem em São Luís o legado de Dom Adalberto Sobral e transformam passeio turístico em emocionante viagem pela história e pela fé
Grupo com mais de 40 visitantes de Pernambuco percorre os principais atrativos do Maranhão e se emociona ao conhecer a Catedral Metropolitana, onde repousam os restos mortais do segundo bispo da Diocese de Pesqueira
Por Flávio José Jardim
atualizado há 3 horas
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SÃO LUÍS (MA) – O que seria mais uma parada de um roteiro turístico pelo Maranhão transformou-se em um dos momentos mais marcantes da viagem para mais de 40 moradores de Pesqueira, no Agreste de Pernambuco. Durante visita à Catedral Metropolitana de São Luís – Nossa Senhora da Vitória, no último sábado, 11 de julho de 2026, o grupo descobriu que os restos mortais de Dom Adalberto Accioli Sobral, segundo bispo da Diocese de Pesqueira, repousam na cripta do templo histórico. A revelação despertou emoção, orgulho e um profundo sentimento de pertencimento entre os excursionistas.
A excursão, organizada para apresentar as belezas naturais, históricas e culturais do Maranhão, percorreu alguns dos destinos mais procurados do estado, incluindo a orla marítima de São Luís, suas praias, o Centro Histórico, o tradicional Mercado das Tulhas, Barreirinhas e os mundialmente famosos Lençóis Maranhenses. Cada parada proporcionou aos visitantes uma verdadeira imersão na cultura maranhense, marcada pela hospitalidade, riqueza arquitetônica e diversidade de paisagens.
Entretanto, foi na Catedral Metropolitana de São Luís – Nossa Senhora da Vitória que o passeio ganhou um significado ainda mais profundo. Ao conhecerem a história do templo, os pesqueirenses foram informados de que ali estão sepultados os restos mortais de Dom Adalberto Sobral, religioso que escreveu um importante capítulo da história da Diocese de Pesqueira antes de assumir a Arquidiocese de São Luís.
A notícia surpreendeu especialmente os integrantes mais antigos da excursão. Muitos já conheciam a importância de Dom Adalberto para a Igreja Católica em Pernambuco, mas desconheciam que seu descanso eterno havia sido reservado justamente na capital maranhense. O fato fortaleceu ainda mais a ligação histórica entre as duas cidades, separadas por milhares de quilômetros, mas unidas pela trajetória de um dos grandes líderes religiosos do século XX.
Segundo o padre Expedito Nascimento, os excursionistas mais idosos manifestam imediatamente o desejo de visitar a cripta onde está sepultado o antigo bispo. Desta vez, no entanto, devido às obras de restauração que vêm sendo realizadas na Catedral Metropolitana, o acesso ao espaço permanece temporariamente interditado, impossibilitando a visita ao túmulo de Dom Adalberto Sobral.
Mesmo sem conseguir chegar até a cripta, o grupo viveu um momento de intensa reflexão e reverência. Para muitos, estar no mesmo templo onde repousa aquele que conduziu espiritualmente a Diocese de Pesqueira durante treze anos foi suficiente para despertar lembranças, fortalecer a fé e valorizar ainda mais a história da Igreja no Brasil.
Natural de Japaratuba, em Sergipe, Dom Adalberto Accioli Sobral nasceu em 2 de agosto de 1887 e construiu uma das mais respeitadas trajetórias do episcopado brasileiro. Ordenado sacerdote em 1911, destacou-se rapidamente pelo compromisso com a formação religiosa, pela dedicação ao ensino e pela capacidade administrativa, ocupando importantes funções na Diocese de Sergipe antes de ser elevado ao episcopado.
Em 1927 foi nomeado bispo da Diocese de Barra, na Bahia. Sete anos depois, assumiu a Diocese de Pesqueira, onde desenvolveu uma intensa ação pastoral durante treze anos, consolidando seu nome como um dos principais líderes religiosos da região. Sua atuação foi marcada pela proximidade com os fiéis, pelo fortalecimento das paróquias e pelo incentivo à formação do clero.
O reconhecimento pelo trabalho realizado levou o Papa Pio XII a nomeá-lo, em 1947, terceiro arcebispo de São Luís do Maranhão. Mesmo permanecendo poucos anos à frente da Arquidiocese, Dom Adalberto promoveu importantes melhorias estruturais, reorganizou as finanças do Seminário Santo Antônio, impulsionou obras patrimoniais e fortaleceu instituições religiosas que contribuíram para o desenvolvimento da Igreja maranhense.
Acometido por problemas de saúde, afastou-se do governo arquidiocesano em 1950 e faleceu em Aracaju, em 24 de maio de 1951, aos 63 anos. Em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à Arquidiocese de São Luís, seus restos mortais foram trasladados para a cripta da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Vitória, onde permanecem preservando a memória de um pastor cuja missão ultrapassou fronteiras estaduais.
Para os visitantes de Pesqueira, a experiência demonstrou que viajar também significa reencontrar a própria história. O turismo, nesse contexto, revelou-se uma poderosa ferramenta de valorização da identidade, da cultura e da memória coletiva, mostrando que cada destino pode guardar conexões inesperadas capazes de emocionar e inspirar gerações.
A passagem do grupo pela Catedral Metropolitana tornou-se um dos pontos altos da excursão pelo Maranhão. Mais do que admirar monumentos históricos ou contemplar paisagens exuberantes, os pesqueirenses voltaram para casa levando consigo uma lembrança que transcende o turismo: a certeza de que a história de Dom Adalberto Sobral continua viva, aproximando Pernambuco e Maranhão por meio da fé, da cultura, da memória e da esperança. Afinal, as grandes viagens não são apenas aquelas que percorrem quilômetros, mas também as que conduzem ao encontro das próprias raízes.
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