Política

Quadra da Barriguda: 24 Anos de Espera e um Grito por Respeito

Requerimento reacende debate histórico na Câmara de Sanharó e pressiona Executivo por solução definitiva

Por Flávio José Jardim atualizado há 2 meses
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Quadra da Barriguda: 24 Anos de Espera e um Grito por Respeito

 

Debate
Debate (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

Tribuna, Dea Lotero
Tribuna, Dea Lotero (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

A quadra poliesportiva do Sítio Barriguda voltou ao centro do debate político em Sanharó — e desta vez com a força de um clamor que atravessa gerações. Construída há quase 24 anos e jamais concluída plenamente, a estrutura tornou-se símbolo de promessas interrompidas e da frustração de uma comunidade que aguarda, há décadas, por dignidade e respeito. O que parecia mais um requerimento protocolar transformou-se em um dos debates mais intensos e reveladores da atual legislatura.

 

O estopim foi o Requerimento 011/2026, reapresentado pelo vereador Carlos Alexandre Almeida Silva, conhecido como Dea Lotero. Com firmeza e embasamento, o parlamentar trouxe novamente à pauta a urgente necessidade de revitalização da quadra da Escola Municipal Santa Rita de Cássia, localizada no Sítio Barriguda. A proposta não trata apenas de reparos estruturais, mas de resgatar um equipamento público que deveria ser instrumento de inclusão social, esporte e cidadania.

 

Entre os pontos destacados no requerimento estão a pintura do piso, instalação de portão de acesso, novas traves, conserto dos refletores danificados, construção de banheiros e vestiários, além da instalação de alambrado. Medidas básicas para qualquer espaço esportivo, mas que, na Barriguda, tornaram-se reivindicações históricas. O documento é claro ao afirmar que a precariedade atual compromete a segurança dos alunos e moradores que utilizam o espaço.

 

Durante a sessão, o clima esquentou. Vereadores de diferentes posicionamentos políticos reconheceram que a quadra atravessou gestões sem solução concreta. “Entra governo, sai governo, e ninguém resolve”, ecoou no plenário. A discussão foi forte, marcada por cobranças e lembranças do passado, mas também foi produtiva — revelando maturidade política e a disposição de enfrentar um problema antigo de frente.

 

A quadra da Barriguda deixou de ser apenas uma obra inacabada. Tornou-se símbolo de um erro que atravessou décadas. Um espaço que deveria abrigar sonhos esportivos e fortalecer vínculos comunitários acabou sendo tomado pelo abandono, pela ferrugem e pela sensação de descaso.

 

Debate
Debate (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

 

Atento ao debate, o presidente da Câmara frisou publicamente a gravidade da situação. Classificou a quadra como “uma obra de época, inacabada”, constantemente cobrada pela população e pelos próprios vereadores. Mais do que palavras, assumiu o compromisso de levar o pleito diretamente ao chefe do Executivo, buscando uma resposta concreta e definitiva.

 

O requerimento direciona apelo formal ao prefeito, além dos secretários municipais responsáveis pelas áreas de Educação, Cultura, Turismo, Lazer e Obras. A mensagem foi clara: o tempo de promessas já passou. A comunidade da Barriguda precisa de ação, planejamento e execução.

 

A revitalização da quadra não representa apenas uma obra física. Representa investimento na permanência escolar, no fortalecimento do esporte como ferramenta social e na garantia de direitos constitucionais ligados ao lazer e à prática esportiva. Cada trave instalada e cada refletor consertado simbolizam oportunidades devolvidas à juventude local.

 

O debate também expôs algo maior: a necessidade de romper com ciclos de inércia administrativa. A quadra da Barriguda é o retrato de como pequenos problemas ignorados se transformam em grandes feridas institucionais. Resolver essa questão é também enviar uma mensagem de que Sanharó está disposta a corrigir seus próprios erros históricos.

 

A repercussão já ultrapassa os muros da Câmara. A imprensa local acompanha atentamente, enquanto moradores do Sítio Barriguda renovam a esperança de ver o espaço finalmente ganhar vida. A expectativa agora recai sobre a postura do Executivo diante da cobrança formal e pública.

 

Se houver sensibilidade política e compromisso administrativo, a quadra poderá deixar de ser um símbolo de abandono para tornar-se exemplo de reconstrução. A história ainda pode mudar — e está nas mãos dos gestores municipais transformar cobrança em ação.

 

O que se viu na Câmara não foi apenas um debate sobre cimento, tinta ou alambrado. Foi uma discussão sobre responsabilidade pública, respeito à comunidade e compromisso com o futuro. A Barriguda espera há 24 anos. Agora, Sanharó tem a oportunidade de mostrar que sabe ouvir, agir e transformar.

 

 

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p (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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