Resistência e Memória: Guila Araújo resgata história da cadeia onde bisavô foi preso
Presidente da Câmara de Pesqueira visita antiga prisão e transforma espaço de dor em símbolo de luta e ancestralidade
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
Publicado em
Na manhã desta semana, um dos capítulos mais simbólicos da história de Pesqueira ganhou novos contornos. Guila Araújo, presidente da Câmara de Vereadores, retornou ao prédio da antiga cadeia municipal — não como neto de preso político, mas como liderança comprometida com a memória e a justiça social. Foi ali que seu bisavô, Ciço Pereira, foi encarcerado por lutar junto às Ligas Camponesas e ao povo Xukuru.
Décadas depois, a visita de Guila não foi apenas afetiva. Representou um gesto de ressignificação de um espaço que, antes marcado pela repressão, agora é palco de memória e resistência. "Aqui tentaram nos silenciar, mas voltamos mais fortes", afirmou emocionado o vereador, que tem pautado seu mandato em ações de valorização da história popular e dos direitos humanos.
O local, antes símbolo da repressão ditatorial e da perseguição política, passa a ser reinterpretado como espaço de construção histórica. Guila defende que o prédio seja transformado em centro cultural ou memorial dedicado à luta camponesa e à resistência indígena na região. “Preservar esse espaço é preservar a dignidade de quem lutou por justiça”, disse.
A luta de Ciço Pereira e de tantos outros que enfrentaram o autoritarismo ecoa na fala do vereador. A visita foi acompanhada por lideranças locais, militantes dos direitos humanos e representantes do povo Xukuru, reforçando a ideia de um movimento coletivo por verdade, justiça e reconhecimento histórico.
Pesqueira, palco de embates sociais e resistência popular, guarda feridas abertas do passado. Mas ações como a de Guila mostram que é possível transformar dor em força, silenciamento em voz, opressão em memória viva. A história não se apaga — ela se ressignifica quando contada com coragem e verdade.
Que a cadeia de outrora se torne casa da memória. Que os muros que um dia prenderam corpos, agora libertem consciências. E que a memória de Seu Ciço inspire novas gerações a lutarem por justiça social, respeito aos povos originários e democracia.
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