Sanharó corre contra o tempo para garantir recursos da segurança alimentar
Projeto cria o FUMSAN e atende exigência para recebimento de recursos; cozinhas comunitárias beneficiam mais de 500 pessoas e já contam com contrapartida financeira do município
Por Flávio José Jardim
atualizado há 13 horas
Publicado em
Uma votação que poderia parecer apenas mais uma matéria administrativa ganhou
importância direta para centenas de famílias de Sanharó. A Câmara de Vereadores aprovou o
Projeto de Lei nº 034/2026, encaminhado pelo Poder Executivo em caráter de urgência
urgentíssima, criando o Fundo Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (FUMSAN).
A pressa tem uma razão prática: segundo explicou Laísa Barbosa, coordenadora das cozinhas
comunitárias, o Estado passou a exigir que o município tenha um fundo específico para
receber e administrar recursos destinados às ações de segurança alimentar.
A explicação foi apresentada durante a discussão da matéria, após o presidente da Câmara,
Gutemberg Leite da Rocha, o Guto do Salgado, solicitar que Laísa e o coordenador do
Programa do Leite, Kaíque Melo, esclarecessem aos vereadores por que o projeto precisava
tramitar em regime de urgência.
Atualmente, segundo Laísa, os recursos relacionados às ações de segurança alimentar passam
pelo Fundo Municipal de Assistência Social. Com a nova exigência estadual, Sanharó precisa
estruturar um fundo próprio para que possa continuar recebendo recursos específicos e
ampliar sua participação nas políticas públicas de combate à insegurança alimentar.
O ponto central está nas cozinhas comunitárias. O município mantém duas unidades que,
conforme os dados apresentados pela coordenadora, atendem mais de 500 beneficiários,
acompanhados por profissionais da área de assistência e nutrição.
O recurso estadual, entretanto, não cobre sozinho toda a estrutura necessária para manter o
funcionamento das cozinhas. Laísa explicou que o município precisa complementar os custos
com recursos próprios.
Entre as despesas estão salários de uma equipe de 11 funcionários, incluindo nutricionista e
coordenação, além de aluguel, água, energia elétrica, materiais de limpeza e higiene,
manutenção e a compra de alimentos, incluindo produtos perecíveis, verduras e frutas.
A coordenadora também destacou que existe um repasse estadual específico, mas que o valor,
segundo sua explicação, é insuficiente para custear toda a operação das unidades. Por isso, a
Prefeitura precisa assumir uma parcela significativa das despesas para garantir que o
atendimento continue.
É justamente nesse cenário que aparece a urgência do FUMSAN. Sem a criação do fundo
específico, Sanharó poderia enfrentar dificuldades para cumprir a exigência necessária ao
recebimento de novos recursos estaduais destinados à segurança alimentar.
Durante a explicação aos vereadores, Laísa resumiu a preocupação: a aprovação rápida do
projeto é necessária para que o município possa regularizar a estrutura financeira exigida e
começar a receber os recursos pelo novo mecanismo.
Mas o FUMSAN não ficará limitado às cozinhas comunitárias. A criação do fundo abre caminho
para que Sanharó organize, concentre e busque novos recursos para diferentes ações
relacionadas à segurança alimentar e nutricional, incluindo programas e iniciativas que possam
surgir posteriormente.
Na prática, a aprovação do projeto representa a criação de uma ferramenta administrativa
para que o município tenha condições de acessar recursos específicos e fortalecer uma política
pública que já atende centenas de pessoas.
Para quem depende das cozinhas comunitárias, a discussão sobre fundo, repasses e exigências
burocráticas tem um efeito bastante concreto: garantir que comida continue chegando à mesa
de famílias que precisam desse apoio.
O projeto segue, portanto, muito além de uma mudança administrativa. Ele cria uma estrutura
própria para que Sanharó possa manter, organizar e buscar recursos para as políticas de
segurança alimentar, reduzindo o risco de que questões burocráticas comprometam serviços
que já estão funcionando no município.
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