Sanharó em Luto: silencia-se o tear de uma mestra da delicadeza
Com a partida de Leda Maria Batista da Silva, a cidade perde uma de suas mais antigas artesãs e guardiãs da tradição rendada
Por Da Redação
atualizado há 2 horas
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Sanharó ficou mais triste e silenciosa no dia 29 de abril de 2026. Como se os fios invisíveis que tecem a memória coletiva tivessem sido abruptamente interrompidos, a cidade despediu-se de uma de suas mais antigas e respeitadas artesãs: Leda Maria Batista da Silva. Sua morte não representa apenas a perda de uma cidadã, mas o apagar de uma história entrelaçada à cultura, à fé e ao labor delicado que molda identidades.
Nascida em 31 de agosto de 1943, Leda construiu ao longo das décadas uma trajetória marcada pela habilidade rara de transformar linhas em arte e tecidos em expressão. Rendeira e costureira por vocação e destino, ela dedicou a vida ao ofício manual, perpetuando saberes que resistem ao tempo e que sustentam, em cada ponto, a essência do fazer artesanal nordestino.
Ao lado do esposo, Jorge Batista da Silva, com quem compartilhou não apenas a vida, mas também o compromisso com a tradição artesanal, Leda edificou uma família que se tornou símbolo dessa herança cultural. Seus filhos, Maria Sandra Batista da Silva e Jorge Batista da Silva Filho, seguiram os passos dos pais, consolidando um legado familiar profundamente enraizado na arte e no trabalho manual, sendo reconhecidos entre os mais antigos artesãos do município.
Figura presente e atuante na vida comunitária, Leda era reconhecida por sua dedicação à associação local de artesãos. Segundo Glória Artes, sua presença era constante, marcada pela generosidade, pelo sorriso acolhedor e pela disposição em ensinar, compartilhar e fortalecer os laços que unem os fazedores de cultura em Sanharó.
Mas sua existência não se limitava ao artesanato. A fé era outro pilar de sua caminhada. A Paróquia Sagrado Coração de Jesus manifestou, em nota de pesar, profundo sentimento pela partida de Leda, destacando seu papel como esposa do Ministro da Eucaristia Jorge e mãe da Ministra da Eucaristia Sandra, evidenciando uma família comprometida com o serviço religioso e com a espiritualidade que sustenta a comunidade.
A notícia de sua morte reverberou como um lamento coletivo. Amigos, familiares e admiradores se unem em dor e saudade, reconhecendo em Leda não apenas a artesã talentosa, mas a mulher íntegra, cuja vida foi tecida com amor, simplicidade e devoção. Sua ausência deixa um vazio difícil de ser preenchido, especialmente entre aqueles que tiveram o privilégio de compartilhar sua convivência.
Neste momento de despedida, a cidade curva-se em respeito à sua memória. Cada peça criada por suas mãos agora carrega não apenas beleza, mas também a marca indelével de sua história. Em cada renda, em cada costura, permanece viva a essência de Leda, como um testemunho silencioso de sua passagem.
Que o amor e a misericórdia divina acolham sua alma e consolem os corações enlutados. E que Sanharó, ao lembrar de Leda Maria Batista da Silva, continue a honrar o legado de quem fez da arte um ato de vida — e da vida, uma obra digna de eternidade.
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