SERTÂNIA INVADE SÃO PAULO: LETRAS, POESIA E ARTE DO MOXOTÓ E IPANEMA GANHAM OS HOLOFOTES DA 28ª BIENAL DO LIVRO
Caravana cultural leva escritores, poetas, cordelistas e músicos sertanienses para um dos maiores eventos literários do país e transforma São Paulo em território de encontro com a cultura do Sertão pernambucano
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 mês
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O Sertão pernambucano vai atravessar fronteiras e ocupar um dos maiores palcos da literatura brasileira. Entre os dias 4 e 13 de setembro de 2026, escritores, poetas, cordelistas e artistas de Sertânia desembarcam em São Paulo para uma verdadeira celebração da cultura regional durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. A iniciativa, batizada de Primavera das Letras, integra a programação do XV Festival Literário do Sertão (FLIS) e levará para a maior metrópole brasileira a força criativa das bacias do Moxotó e Ipanema, unindo literatura, poesia, música e tradição popular.
Mais do que participar de uma feira literária, a comitiva sertaniense pretende apresentar ao público paulista uma produção cultural que nasce longe dos grandes centros, mas carrega enorme potência artística. No Estande de Autores Independentes, localizado na Rua J, Estande 76, a programação terá lançamentos e sessões de autógrafos. Entre os destaques está a escritora Vanuza Silva, que, das 12h às 14h, apresenta as obras Gafanhoto ou Esperança? Qual a Diferença? e CA-RAN e os Mistérios do Manguezal. Na sequência, das 14h às 16h, será a vez do escritor Josessandro Andrade, com o lançamento da antologia de poemas A Roda do Escárnio – Antologia do Pandemônio.
A presença sertaniense, entretanto, não ficará restrita aos livros. A programação prevê uma ocupação cultural que mistura palavra escrita, oralidade, música e memória. Às 17h, os autores estarão no estande da Editora Articule, na Rua K, Estande 35. Mais tarde, às 19h, o estande da Editora Imep será tomado pelo ritmo nordestino, com a participação de Luiz Wilson e o Trio Pintando o Sete no Forró. É o Sertão mostrando que sua literatura também pode ser cantada, dançada e celebrada, mantendo vivas as tradições que atravessaram gerações.
A programação começa ainda antes dos grandes encontros da Bienal. No dia 6 de setembro, o Sertão estará nas ondas da Rádio Imprensa FM, das 10h às 12h, com entrevista especial às 11h. O tradicional programa Pintando o Sete, comandado pelo forrozeiro, poeta e cordelista Luiz Wilson, receberá os escritores sertanienses Vanuza Silva, Paulo Mapu, Maria Helena e Josessandro Andrade. Será uma oportunidade para apresentar ao público paulista os objetivos da caravana e contar a história de uma produção literária que tem suas raízes fincadas no interior pernambucano.
No dia 7 de setembro, a cultura nordestina ganha ainda mais espaço no extremo sul da capital paulista. A Casa Di Fatel/Ponto de Cultura, no Parque Tamari, em Parelheiros, celebra sete anos de existência com uma programação que reúne literatura, cordel, música e recital. Entre os momentos mais aguardados está o lançamento do romance O Doce Amargo do Açúcar, de Paulo Mapu, além da apresentação de dez novos cordéis de autoria de Josessandro Andrade. A programação musical e poética, coordenada por Magno Duarte, do Projeto Sertão Perifa, reunirá artistas como Maria Helena, Luiz Wilson e Fatel Barbosa.
O grande encontro da comunidade sertaneja está marcado para 12 de setembro, na zona norte de São Paulo. O II Encontro de Sertanienses e a Feira do Livro Sertanejo, no Bar e Restaurante 4 Estrelas, em Vila Guilherme, celebrará também os 19 anos do Programa Pintando o Sete. A noite promete reunir nomes expressivos da música e da cultura regional, como Luiz Wilson, Andrade de Sertânia (Jacildo), Romero Silva, Paulo, Maria Helena, Fatel Barbosa, Alan Dias, Trio Golada, Téo dos Oito Baixos, Geraldo Brito, Zé de Zilda e Manuel do Acordeon. A feira literária terá ainda a presença de Luiz Wilson, Josessandro Andrade e Paulo Mapu.
A jornada termina no dia 13 de setembro, com um encontro cultural e familiar no tradicional Chateau do Dandão, no bairro do Sumaré, espaço conhecido pela valorização do forró e da cultura nordestina. A confraternização, a partir das 12h, será o momento de celebrar uma semana de encontros, lançamentos, música, poesia e reencontros entre sertanienses espalhados por São Paulo. A iniciativa reforça uma mensagem poderosa: a distância geográfica não apaga as raízes. Pelo contrário, transforma a cultura em ponte entre quem ficou no Sertão e quem construiu uma nova vida na grande metrópole.
A Primavera das Letras chega a São Paulo, portanto, como muito mais que uma agenda de eventos. É uma afirmação de identidade. É Sertânia levando para o Distrito Anhembi e para diferentes territórios da capital paulista a voz de seus escritores, a força dos seus poetas, a resistência do cordel e a musicalidade de um povo que transforma experiências em arte. Ao ocupar a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o Moxotó e Ipanema mostram que a literatura brasileira também pulsa forte no interior e que, quando o Sertão decide contar sua própria história, São Paulo para para ouvir.
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