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SERTÂNIA: UMA HISTÓRIA QUE NASCEU ÀS MARGENS DO MOXOTÓ E QUE AGORA GANHA UMA NOVA VOZ

Revista Sertânia nasce com a missão de difundir a cultura, a economia, a história e o desenvolvimento de uma das cidades mais importantes do Sertão pernambucano

Por Flávio José Jardim atualizado há 19 horas
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SERTÂNIA: UMA HISTÓRIA QUE NASCEU ÀS MARGENS DO MOXOTÓ E QUE AGORA GANHA UMA NOVA VOZ

Sertânia não é apenas um território marcado no mapa de Pernambuco. É uma cidade construída por histórias, personagens, tradições, trabalho, cultura e resistência. Às margens do rio Moxotó, entre antigas fazendas, caminhos de boiadeiros, feiras, capelas e movimentos de emancipação, nasceu uma comunidade que atravessou séculos até chegar à cidade que hoje conhecemos como Sertânia.

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É justamente para valorizar essa trajetória que nasce a Revista Sertânia, uma publicação dedicada a contar, registrar e difundir aquilo que o município tem de mais precioso: sua identidade. A revista nasce com o propósito de difundir a cultura, a economia, a história, as potencialidades e o desenvolvimento de Sertânia, abrindo espaço para personagens, empresas, artistas, instituições, empreendedores, gestores, produtores, intelectuais e todos aqueles que ajudam a construir o presente e o futuro do município.

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A iniciativa tem como editor o jornalista Flávio J Jardim, editor da Revista Poder e do Site Notícia Verdade, que também assume a missão de colocar Sertânia no centro de uma narrativa própria, valorizando seus personagens e sua memória. A proposta é fazer do jornalismo também uma ferramenta de preservação histórica e de promoção das potencialidades locais.

Segundo registros do Centro de Estudos de História Municipal (CEHM) e do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), a história da região remonta ao processo de ocupação do Vale do Moxotó, iniciado ainda no período colonial. As terras foram distribuídas em antigas sesmarias e, ao longo dos séculos XVII e XVIII, passaram a receber fazendas, currais e novos moradores.

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Mas a origem de Sertânia também está envolta em uma história de amor. Raimundo Ferreira dos Santos e Leandra Nunes de Vasconcelos foram os pais de Catarina Ferreira dos Santos, descrita pelos memorialistas como uma jovem de extraordinária beleza. Foi ela quem se apaixonou por Antão Alves de Souza, um boiadeiro natural de Vitória de Santo Antão que chegou à região na década de 1780.

O romance enfrentou inicialmente a resistência do vigário, que considerava Antão um homem humilde, errante e sem pouso fixo. Para permitir que a filha realizasse seu sonho, os pais de Catarina lhe ofereceram terras como antecipação de herança ou dote. O casamento aconteceu em meio a uma grande festa e, conforme a memória preservada por Raimundo Sá Laet Cavalcanti, o conhecido “Mundico Laet”, de uma história de amor nasceu Sertânia.

O casal se estabeleceu na região conhecida como Lagoa de Baixo. Antão e Catarina construíram sua morada e iniciaram uma fazenda de criação, a Fazenda Alagoa de Baixo. Em 1810, movido pela devoção a Nossa Senhora da Conceição, Antão doou uma légua quadrada de terras para o patrimônio de uma capela. Ao redor dela e impulsionada pela feira de gado, começou a crescer a povoação que daria origem ao núcleo urbano.

O crescimento foi expressivo. Em 1842, Alagoa de Baixo já alcançava a condição de freguesia. Décadas depois, em 1873, a Lei Provincial nº 1.093 elevou a povoação à categoria de vila,

promovendo sua emancipação e desmembrando seu território de Cimbres, atual Pesqueira. A instalação do novo município ocorreu em 29 de abril de 1878.

O desenvolvimento continuou. Em 1909, a sede municipal deixou definitivamente a condição de vila e foi elevada à categoria de cidade. O território passou por diferentes reorganizações administrativas, com distritos e povoados que ajudaram a formar a estrutura territorial de Sertânia ao longo do tempo.

Um dos momentos decisivos dessa transformação ocorreu em 1933, com a chegada do trem. Até então, Alagoa de Baixo permanecia concentrada principalmente no entorno da antiga Rua Velha. A ligação ferroviária acelerou a expansão urbana e modificou profundamente a dinâmica da cidade.

A própria mudança do nome da cidade também carrega uma história interessante. Durante décadas foram discutidas alternativas para substituir Alagoa de Baixo. Em 1943, no contexto da revisão toponímica nacional, surgiu a proposta de “Sertanópolis”, mas ela não prosperou. Foi então que o escritor Ulysses Lins sugeriu Sertânia, nome que, segundo o material histórico consultado, significa “cidade sertaneja”. A proposta acabou sendo aceita pelo Conselho Nacional de Geografia.

É essa história — e muitas outras que ainda precisam ser contadas — que a Revista Sertânia pretende preservar. Em suas páginas, passado e presente deverão caminhar lado a lado: a memória dos antigos moradores dialogando com os novos empreendedores; os artistas e mestres da cultura ao lado das novas gerações; a história das famílias encontrando espaço junto às empresas, instituições e projetos que movimentam a economia local.

Mais do que uma revista, a proposta é construir um registro permanente de Sertânia, mostrando suas raízes, seus talentos, suas riquezas culturais e suas possibilidades de crescimento. Uma cidade que nasceu de uma história de amor, cresceu às margens do Moxotó, transformou-se com o trabalho de gerações e continua escrevendo sua própria história.

Revista Sertânia. Uma nova publicação para contar uma velha e grandiosa história — e, principalmente, para registrar o presente e ajudar a projetar o futuro de Sertânia.

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