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VELÓRIO DO CASAL, PROFESSORA IARA ESPÍNDOLA E DIEGO FREITAS, será na quadra do Colégio Santa Dorotéia, em Pesqueira, nesta segunda-feira (03)

Pesqueira mergulha em luto profundo após a tragédia na BR-232, que ceifou a vida de dois jovens amados pela comunidade. Quarta vítima está viva, internada em estado grave em Arcoverde.

Por Flávio José Jardim atualizado há 5 meses
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VELÓRIO DO CASAL, PROFESSORA IARA ESPÍNDOLA E DIEGO FREITAS, será na quadra do Colégio Santa Dorotéia, em Pesqueira, nesta segunda-feira (03)

 

luto
luto (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

Pesqueira e Lajedo amanheceram nesta segunda-feira (03) cobertas por um manto de tristeza e incredulidade. As cidades inteiras ainda tentam compreender o tamanho da dor provocada pela tragédia que, no Dia de Finados, levou precocemente a professora Iara Espíndola e o técnico em informática Diego Freitas. O casal será velado na quadra interna do Colégio Santa Doroteia, instituição onde ambos deixaram marcas de afeto, dedicação e profissionalismo.

 

O colégio confirmou, por meio de nota, que o espaço foi preparado com o cuidado e a delicadeza que sempre marcaram a presença dos dois na vida escolar. “Unamo-nos em oração e afeto por suas almas e pelo consolo de seus familiares”, diz o comunicado. Os portões da frente e dos fundos da escola estarão abertos para acolher a multidão de amigos, colegas, alunos e ex-alunos que desejam prestar a última homenagem.

 

Ainda não foram divulgados os horários exatos do velório e do sepultamento, que dependem do retorno dos corpos à cidade. O que já se sabe é que a cerimônia deve reunir centenas de pessoas — em uma despedida comovente de dois profissionais que dedicaram a vida à educação e ao amor ao próximo.

 

Enquanto Pesqueira chora, uma notícia trouxe um fio de esperança em meio à dor. Diferentemente do que chegou a ser publicado em algumas redes sociais, a quarta vítima do acidente, Maria Luiza de Melo Neto, sobreviveu. Ela permanece internada no Hospital Regional de Arcoverde, em estado grave, porém estável, após ter passado por cirurgia.

 

Maria Luiza, jovem de Lajedo, era passageira do outro veículo envolvido na colisão, que tirou a vida de seu noivo, Adrian Roberto da Silva, de 23 anos. A luta dela pela vida tem mobilizado correntes de oração em diversas cidades do Agreste.

 

O acidente aconteceu na tarde de domingo (2), Dia de Finados, no quilômetro 226 da BR-232, nas proximidades do distrito de Ipanema, em Pesqueira. Dois veículos, um Fiat Siena e um Fiat Mobi, colidiram de frente com violência devastadora. O impacto foi tão forte que ambos os carros ficaram completamente destruídos.

 

As vítimas fatais foram identificadas como Diego Augusto Vasconcelos de Freitas, de 40 anos, e sua esposa Iara Aparecida Espíndola de Freitas, de 37, ambos de Pesqueira; e Adrian Roberto da Silva, de 23 anos, de Lajedo. O resgate foi feito pelo Corpo de Bombeiros, Samu e Polícia Rodoviária Federal, que ainda investigam as causas do acidente.

 

 

Segundo relatos, Diego morreu no local. Iara chegou a ser socorrida para a UPA de Pesqueira, mas não resistiu aos ferimentos. Adrian também morreu preso às ferragens, enquanto Maria Luiza foi levada às pressas para Arcoverde. A PRF informou que a perícia tentará determinar se houve tentativa de ultrapassagem ou perda de controle da direção.

 

A tragédia provocou uma onda de consternação em Pesqueira. O silêncio tomou conta das ruas. No Colégio Santa Doroteia, onde Iara lecionava e Diego prestava serviços de tecnologia, o luto é absoluto. “Vocês cumpriram, com amor, a missão que lhes foi confiada”, diz o comunicado oficial da instituição.

 

Iara Espíndola era professora de Educação Física — uma mulher que transbordava energia e doçura. Era daquelas profissionais que não apenas ensinavam, mas inspiravam. “Como era esperado o dia da tua aula!”, escreveu uma colega de trabalho. “Mesmo quando caía em um feriado, os alunos ainda cobravam por tê-la.”

 

Diego Freitas, por sua vez, foi essencial na adaptação tecnológica do Colégio durante a pandemia de Covid-19. Um técnico em informática dedicado, discreto e gentil, que ajudou a transformar a distância do ensino remoto em ponte de conexão entre professores e alunos. Apaixonado por fotografia e música, tinha um olhar sensível para a beleza simples da vida.

 

O casal se conheceu ainda jovem, quando a vida lhes sorria com promessas e sonhos. O namoro sereno evoluiu para uma união sólida, marcada por companheirismo e amor profundo. Juntos, eles dividiram planos, conquistas e vocações — dois corações voltados ao ensino, ao cuidado e à luz.

 

 

acidente
acidente (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

 

A tragédia que os separou do convívio terreno parece ter selado também uma união eterna. Partiram no mesmo dia, como se um não pudesse suportar a ausência do outro. São almas que, como muitos dizem, nasceram para caminhar lado a lado — e assim seguirão, agora em planos mais altos.

 

Nas redes sociais, as homenagens se multiplicam. Ex-alunos, amigos e familiares descrevem Iara e Diego como “pessoas de alma boa”, “seres de luz” e “referências de amor e dedicação”. Em meio às lágrimas, a cidade inteira tenta abraçar, com palavras, uma dor que não cabe em nenhum peito.

 

A Escola Municipal Sérgio de Brito Cavalcanti, no povoado de Ipanema — onde a irmã de Iara é diretora — também publicou nota de pesar, manifestando solidariedade e pedindo orações pelo consolo da família. “Que Maria os cubra com seu manto sagrado”, diz o texto, encerrado com o símbolo de uma rosa branca.

 

Aos poucos, Pesqueira se transforma num grande velório a céu aberto. As pessoas se encontram nas ruas para rezar, trocar abraços, acender velas. É um luto coletivo, profundo, que atravessa gerações e profissões.

 

Na quadra do Colégio Santa Doroteia, flores brancas e fitas pretas se acumulam. Cada arranjo é uma mensagem silenciosa de amor e despedida. Lá, a lembrança de Iara ecoa nos corredores, no som distante do apito das aulas de Educação Física. E a de Diego vive nas telas e cabos, nos sistemas que ele manteve vivos com carinho e zelo.

 

A cidade que os viu crescer agora se despede com o coração despedaçado. A dor é imensa, mas o legado de ambos é ainda maior. Eles cumpriram, com ternura e propósito, o papel de iluminar vidas — e essa luz jamais se apaga.

 

Na eternidade, Iara e Diego seguirão juntos, caminhando por campos de paz, onde o amor não conhece tragédias. E em Pesqueira, cada oração, cada flor, cada lágrima será um lembrete: o amor verdadeiro transcende até mesmo a morte. 🕊️

 

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luto (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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luto (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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