Venturosa Mobiliza Setores em Defesa da Saúde Mental: Integração para o Cuidado Integral
Reunião intersetorial propõe nova articulação de políticas públicas em favor do bem-estar psicológico da população
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
Publicado em
Venturosa deu um passo importante para ampliar o cuidado em saúde mental com a realização de uma Reunião Ampliada e Intersetorial que reuniu, em um mesmo espaço, representantes de diversos setores estratégicos. A articulação buscou traçar ações concretas e efetivas para enfrentar uma das questões mais urgentes da atualidade: o sofrimento psíquico que acomete parte significativa da população.
O encontro contou com a presença de técnicos e gestores das Secretarias de Saúde, Assistência Social e Educação, além da Coordenadoria da Mulher, Conselho Tutelar, CRAS e CREAS. O momento, mais que simbólico, representa um avanço no diálogo e planejamento de políticas públicas com foco na prevenção, acolhimento e tratamento de questões ligadas à saúde mental.
O objetivo da reunião foi discutir estratégias de atuação conjunta, reconhecendo que o cuidado integral em saúde mental exige respostas complexas e interdisciplinares. A fragmentação entre serviços — comum em muitas cidades — foi apontada como um dos principais entraves no acesso e continuidade do atendimento. A proposta de Venturosa busca justamente o contrário: uma rede que se reconhece como complementar e que age em conjunto.
A escuta foi protagonista do encontro. Cada setor compartilhou os principais desafios enfrentados no cotidiano, desde o aumento de casos de ansiedade e depressão em jovens até a dificuldade em realizar encaminhamentos adequados nos casos mais graves. O Conselho Tutelar, por exemplo, relatou o crescimento de ocorrências envolvendo adolescentes com quadros emocionais agudos.
A Coordenadoria da Mulher destacou a importância de considerar os impactos da violência doméstica na saúde psicológica das mulheres e crianças. Já os profissionais da educação defenderam a necessidade de formar professores para lidar com sinais precoces de sofrimento emocional entre os estudantes, especialmente após o retorno pós-pandemia.
Com base nesses relatos, foi proposto um cronograma de formações continuadas, rodas de conversa nas escolas e unidades básicas de saúde, além da criação de um grupo de trabalho permanente para alinhar fluxos de atendimento e protocolos intersetoriais. A escuta comunitária também entrou na pauta, como estratégia para reconhecer demandas que ainda não chegam aos equipamentos públicos.
A reunião também reforçou que a saúde mental não é apenas uma pauta da saúde, mas da cidade como um todo. É preciso compreender que o bem-estar emocional da população depende de renda, habitação, segurança, cultura e pertencimento social. E, principalmente, de um poder público que ouve e age.
Venturosa mostra, assim, que é possível construir uma política pública de saúde mental humanizada, transversal e eficaz, desde que os setores se reconheçam como parte de um mesmo corpo. O cuidado em rede não é apenas um conceito bonito: é uma necessidade urgente. E aqui, está em construção.
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