VEREADOR MARCOS DE ESMERALDA SOB TIRO. VEJA IMAGENS
Tentativa de homicídio contra vereador em Alagoinha expõe rede de intrigas, investigações e poder político no agreste pernambucano
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
Publicado em
ALAGOINHA (PE) - O vereador Marcos André dos Santos, mais conhecido como Marcos de Esmeralda, teve seu carro alvejado por um disparo de arma de fogo em plena Avenida Senador Nilo Coelho, no Centro de Alagoinha. O agreste de Pernambuco foi sacudido nesta semana por um episódio que mistura política, polícia e sangue. O caso, registrado como tentativa de homicídio doloso, abre um novo e sombrio capítulo na trajetória do parlamentar. O advogado de Marcos, Dr. Danilton Paes, acompanha o caso.
A cena descrita no boletim de ocorrência é cinematográfica: eram pouco mais de 20h quando Marcos retornava da sessão da Câmara Municipal para casa. Ao estacionar sua caminhonete branca, ouviu o estampido seco de um disparo que atravessou o parabrisas. Em pânico, acelerou para dentro da garagem, escapando por segundos de uma possível execução. Do lado de fora, o atirador desapareceu na escuridão, deixando apenas o rastro do medo.
A Polícia Civil abriu diversas linhas de investigação. Não se descarta que o ataque tenha relação com desavenças políticas ou represálias a partir das operações policiais recentes que tiveram o nome de Marcos citado. O fato é que, há menos de um mês, o vereador havia sido alvo de um mandado de busca e apreensão durante uma megaoperação em Alagoinha, episódio que levantou suspeitas e mexeu com os bastidores do poder local.
Marcos de Esmeralda não é um nome qualquer. Ele assumiu a vaga na Câmara em 2025, após a trágica morte do vereador Ezinho, vítima de assassinato. A ascensão de Marcos foi cercada de expectativa, mas também de mistérios. Conhecido pela ligação com bases populares e pelo estilo, logo passou a figurar no centro de disputas políticas acirradas, transformando sua trajetória em uma montanha-russa entre prestígio e controvérsias.
O ataque desta semana acendeu o alerta máximo no cenário político de Alagoinha. Quem teria interesse em silenciar o vereador?
A lista de envolvidos na ocorrência oficial revela ainda mais detalhes sombrios. Policiais militares como Jânio da Silva Anjos e Tony Carlos Igleisson foram os primeiros a chegar ao local, registrando o susto do parlamentar e de Roseny Patrícia, agricultora que estava com ele no momento do ataque. A presença de testemunhas dá peso ao relato, mas também reforça a pressão sobre as autoridades para apresentar respostas rápidas.
A arma usada no crime não foi apreendida. Desconhecido o calibre, desconhecido o autor, desconhecido o paradeiro. Um fantasma armado que ronda a política local. Essa ausência de pistas concretas alimenta especulações e teorias, algumas que circulam como sussurros nas esquinas de Alagoinha.
O fato de Marcos ter sido investigado no mês anterior adiciona uma camada ainda mais explosiva. Para alguns, o ataque pode ser uma tentativa de silenciar alguém que sabe demais. Para outros, não passa de um recado cruel de que ninguém está intocável. Há quem enxergue, inclusive, a possibilidade de armação para desestabilizar.
A Polícia Civil da 113ª Circunscrição de Alagoinha segue investigando. O caso foi registrado como tentativa de homicídio, mas a teia de intrigas que se desenha sugere algo muito maior. O governo do Estado, através da Secretaria de Defesa Social, já acompanha o caso de perto, temendo que a escalada da violência política manche ainda mais a imagem da segurança no interior.
O destino de Marcos de Esmeralda permanece incerto. Ele sobreviveu ao ataque, mas carrega agora o peso de um alvo marcado. Sua trajetória, já envolta em polêmicas e desconfianças, pode se transformar em símbolo de resistência ou em mais um trágico capítulo da política sangrenta do agreste pernambucano. Uma certeza, no entanto, já está gravada: o silêncio da noite de Alagoinha foi quebrado pelo estrondo de uma bala que ecoará por muito tempo.
Veja as imagens abaixo.
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