Política

“VIRADA NUM MÓI DE CUENTO”: Dayane rocha dá voz às mulheres do Pajeú com livro de tiro, porrada e verso

Declamadora lança obra visceral com poesia feminista, tradição sertaneja e um furacão de identidade e emoção

Por Flávio José Jardim atualizado há 8 meses
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“VIRADA NUM MÓI DE CUENTO”: Dayane rocha dá voz às mulheres do Pajeú com livro de tiro, porrada e verso

Quando a poesia vira resistência, o verso é faca e a rima é trincheira. É exatamente isso que Dayane Rocha, de apenas 29 anos, entrega em sua primeira obra literária: “Virada num mói de Cuento”. Um título que é quase um aviso: quem abrir suas páginas vai mergulhar numa tempestade de sentimentos, revolta, afeto e coragem. A obra será lançada no dia 19 de julho em Brejinho de Tabira, e já nasce como um marco da poesia contemporânea do Sertão pernambucano — mais especificamente, do lendário Pajeú das flores.

 

Dayane não vem de família tradicional de poetas. Neta de sanfoneiro e filha da coragem, ela conquistou seu espaço à unha e na métrica, enfrentando preconceitos e cismas de um meio ainda dominado por homens. Sua trajetória, marcada por resistência, dor e beleza, encontra no livro a materialização de uma luta. "Sou neta de Biu Bitu... Vô ensinou que tabu foi feito pra quebrar", versa ela em um dos poemas que arrepiam até a alma.

 

Mas o livro não vem sozinho. Junto com ele, uma coleção de peças inspiradas na obra: almofadas, porcelanas, cangas, saias e peças em barro — todas produzidas por mulheres artesãs de Santa Terezinha e Brejinho. É arte colaborativa com cheiro de barro, suor e afeto. O lançamento será também um ato político, uma celebração à força feminina que molda o Pajeú e resiste às pressões do machismo poético e social.

 

A publicação traz 170 páginas de pura poesia metrificada: sextilhas, decassílabos, martelos alagoanos, trovas, sonetos. Cada verso é uma explosão de temas como erotismo feminino, maternidade, política, saudade e memória. Tudo dialogando com xilogravuras do artista Marcos Pê e prefaciado pela também poetisa Elenilda Amaral, que descreve Dayane como “rocha e lira”, forte e musical. É impossível não se emocionar.

 

Dayane também é uma das vozes do coletivo Mulheres de Repente, que viaja o país com a mesa de glosas, desafiando os espaços ainda fechados para as mulheres na poesia de improviso. "Tem homem que olha como se fôssemos cota", desabafa. Mas ela não baixa a cabeça: faz do olhar torto um trampolim para mais uma trova certeira. A poetisa já não se contenta com migalhas — quer o banquete da representatividade.

 

“Virada num mói de Cuento” estará à venda também no site oficial www.poetisadayanerocha.com.br, onde é possível acompanhar sua agenda, biografia e adquirir os produtos inspirados na obra. Mais que um livro, é um manifesto. Mais que poesia, é munição de vida. Dayane Rocha é a voz que o Sertão precisava ouvir — e agora, ninguém mais cala.

 

 

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cuento
cuento (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

cuento
cuento (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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