“Vou cuidar da minha vida. Vou cuidar de mim”, desabafa Delegado Rossine ao anunciar afastamento momentâneo da política em Pesqueira
Após anos de enfrentamento político, denúncias e uma disputa acirrada pela Prefeitura de Pesqueira, Rossine Cordeiro agradece aos eleitores, demonstra decepção com o resultado das urnas e anuncia que vai dedicar mais tempo à família e à própria vida. “Será que valeu a pena lutar tanto?”, questionou.
Por Da Redação
atualizado há 6 horas
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PESQUEIRA (PE) – Há momentos na política em que até os mais determinados precisam rever seus caminhos. Nesta sexta-feira, 9 de outubro de 2026, o Delegado Rossine surpreendeu Pesqueira ao anunciar que pretende se afastar temporariamente da atividade política.
Não foi um pronunciamento de quem desconhece as dificuldades da vida pública. Foi o desabafo de um homem experiente, acostumado aos enfrentamentos, mas que também conhece o peso das decepções.
“Vou cuidar da minha família. Vou cuidar da minha vida. Vou cuidar de mim.” As palavras, pronunciadas com franqueza, resumem a decisão de Rossine Cordeiro, uma das figuras mais conhecidas da oposição política em Pesqueira.
Ex-delegado de polícia, ex-prefeito de Lajedo por dois mandatos e candidato à Prefeitura de Pesqueira, Rossine construiu uma trajetória marcada por posicionamentos firmes, discursos diretos e disposição para enfrentar adversários políticos.
Na última disputa municipal, protagonizou uma eleição acirrada contra o atual prefeito, Cacique Marcos, terminando a corrida eleitoral com uma diferença apertada de votos. O resultado demonstrou sua capacidade de mobilização e consolidou seu nome entre as principais lideranças da oposição.
Desde então, Rossine manteve uma atuação constante na fiscalização da administração municipal, utilizando principalmente as redes sociais para apresentar críticas, questionamentos e denúncias.
Mas o pronunciamento desta sexta-feira trouxe um Rossine diferente. Sem abandonar a firmeza que caracteriza sua trajetória, ele deixou aparecer o lado humano de quem também se cansa, se decepciona e precisa pensar no próprio futuro.
A decepção com as urnas
O motivo apresentado para a decisão foi o desempenho eleitoral dos deputados Felipe Carreras e Romerinho Jatobá, apoiados por seu grupo político nas eleições de 2026.
Rossine iniciou sua manifestação agradecendo aos amigos, correligionários e eleitores que atenderam ao seu pedido de apoio aos dois parlamentares.
Também fez questão de agradecer a confiança recebida de Felipe Carreras e Romerinho Jatobá, reconhecendo que ambos acreditaram no potencial político do grupo que lidera em Pesqueira.
Em um gesto de humildade, pediu desculpas aos deputados por não ter conseguido entregar a votação que esperava.
Para Rossine, os dois parlamentares mereciam um resultado mais expressivo, especialmente diante do trabalho político que, segundo ele, vem desenvolvendo nos últimos quatro anos.
O ex-prefeito lembrou que enfrentou disputas, processos judiciais, multas e situações que descreveu como ameaças durante sua atuação oposicionista.
“Faz quatro anos que eu venho enfrentando o grupo do Cacique, fazendo denúncias, fiscalizando, fazendo vídeos”, declarou.
Rossine afirmou que nunca deixou de defender suas posições por medo das consequências políticas ou pessoais.
Entretanto, reconheceu que o resultado eleitoral provocou um sentimento de frustração.
Segundo sua avaliação, enquanto os eleitores ligados ao prefeito Cacique Marcos mantiveram maior fidelidade às candidaturas apoiadas pelo grupo governista, parte considerável dos seus próprios apoiadores distribuiu votos entre diferentes candidatos.
Ele criticou a pulverização eleitoral registrada no município, onde centenas de candidatos a deputado receberam votos.
Na avaliação de Rossine, essa dispersão enfraquece a possibilidade de construir uma representação política comprometida com as demandas de Pesqueira.
É importante destacar que o voto pertence ao eleitor, que tem plena liberdade para escolher seus representantes. A insatisfação manifestada por Rossine, porém, revela uma dificuldade enfrentada por lideranças municipais: transformar apoio pessoal em votos para seus aliados.
“Será que valeu a pena lutar tanto?”
Talvez o momento mais marcante do pronunciamento tenha ocorrido quando Rossine deixou de falar sobre números e passou a questionar o próprio sacrifício pessoal.
“Será que valeu a pena eu brigar tanto, lutar tanto? Será que valeu a pena?”, perguntou.
A reflexão revela uma dimensão da política que raramente aparece nos discursos públicos.
Por trás das disputas eleitorais, dos palanques e dos embates partidários, existem pessoas que também enfrentam desgaste emocional, preocupações familiares e decisões difíceis.
Rossine não escondeu sua decepção. Também não tentou transformar o resultado em uma vitória que não aconteceu.
Preferiu reconhecer que esperava mais.
Essa postura, embora marcada pela frustração, mostra o lado pé no chão de um político que conhece as dificuldades da caminhada e não tem receio de admitir quando os resultados ficam abaixo das expectativas.
A decisão de cuidar de si mesmo
Rossine afirmou que pretende aguardar a eleição presidencial prevista para o próximo dia 25 de outubro antes de iniciar seu afastamento da política.
Depois disso, quer diminuir os enfrentamentos, deixar de lado as disputas constantes e dedicar mais atenção à família, à vida pessoal e aos próprios projetos.
“Não vou mais brigar com ninguém. Não vale a pena estar brigando, enfrentando, denunciando”, declarou.
A decisão não representa necessariamente uma despedida definitiva da vida pública.
Rossine falou em se afastar por algum tempo, sem estabelecer prazo para um eventual retorno.
Também não anunciou apoio a outro líder, mudança de grupo político ou abandono formal de suas convicções.
O que deixou claro foi a necessidade de reorganizar prioridades.
Uma trajetória que não se apaga
Independentemente das divergências políticas, Rossine possui uma história GIGANTE de participação na vida pública pernambucana. Foi delegado de polícia, administrou Lajedo por dois mandatos, disputou eleições e construiu uma base de apoiadores em Pesqueira.
Sua presença no debate municipal, especialmente nos últimos anos, ajudou a movimentar a oposição e a estimular discussões sobre a gestão pública. Seus apoiadores enxergam nele coragem e disposição para fiscalizar. Seus adversários contestam suas críticas e posicionamentos. São visões diferentes que fazem parte da disputa democrática.
Mas há um aspecto que merece atenção: reconhecer os próprios limites também é uma demonstração de maturidade.
Nem toda decisão política precisa ser tomada pensando na próxima eleição.
Às vezes, a escolha mais importante é aquela que permite recuperar a tranquilidade, conviver mais com a família e cuidar da própria saúde e do futuro.
Rossine encerrou sua manifestação desejando bênçãos a Pesqueira e aos seus moradores, embora tenha mantido críticas às escolhas eleitorais de parte da população.
O pronunciamento deixa uma pergunta sobre o futuro da oposição no município. Afinal, Rossine foi um dos principais protagonistas da última disputa pela Prefeitura e permaneceu ativo no cenário político local.
Seu afastamento, caso se concretize, poderá abrir espaço para novas articulações e provocar reflexões entre seus aliados.
Por enquanto, porém, o Delegado Rossine parece menos preocupado com a próxima batalha eleitoral e mais interessado em recuperar algo que a política muitas vezes consome: o tempo para viver.
Depois de tantos enfrentamentos, a mensagem foi simples, humana e direta.
“Vou cuidar da minha vida. Vou cuidar de mim.” E talvez essa seja a frase mais significativa de todo o pronunciamento: a de um homem que, depois de dedicar anos às disputas políticas, decidiu olhar também para si mesmo.
Revista Poder |
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