Sociedade

Wilson Soares: o mestre que a vida me deu

Mais do que um grande amigo, ele foi um professor que deixou marcas profundas na minha trajetória como jornalista

Por Flávio José Jardim atualizado há 13 horas
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Wilson Soares: o mestre que a vida me deu

 

WILSON E A FILHA, VANEIDE
WILSON E A FILHA, VANEIDE (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

RECIFE E PESQUEIRA (PE) - Existem pessoas que passam pela nossa vida. E existem aquelas que deixam uma marca que o tempo jamais consegue apagar. Wilson Soares foi uma dessas pessoas.

 

Recebi com profunda tristeza a notícia de sua morte. Aos 86 anos, partiu um dos grandes nomes do jornalismo de Pernambuco. Para muitos, Wilson Soares foi um jornalista respeitado, um profissional de uma geração histórica da imprensa pernambucana. Para mim, porém, ele foi muito mais: foi amigo, professor, mestre e uma das pessoas que contribuíram diretamente para a minha formação profissional.

 

Tive a oportunidade e o privilégio de trabalhar ao lado de Wilson. Fizemos juntos o jornal Pesqueira Hoje, uma experiência que guardo com enorme carinho. Estar perto dele, acompanhar seu trabalho, ouvir suas histórias e aprender com sua experiência foi uma verdadeira escola de jornalismo.

 

Wilson não ensinava apenas a escrever. Ensinava a observar, a compreender a notícia, a respeitar a profissão e, acima de tudo, a entender que jornalismo exige responsabilidade.

 

Conviver com ele também me permitiu conhecer sua família, pessoas especiais que sempre me receberam muito bem: Marleide, sua esposa, e suas filhas Vaneide e Luziana. São lembranças que permanecem vivas e que agora ganham ainda mais significado.

 

Ao lado de Wilson, também estiveram grandes companheiros de profissão e de jornada, como Nivaldo Lemos, o “Já Morreu”, Reinaldo Amorim Leitão, Manoel Larré, Hithmock e tantos outros que fizeram parte das equipes de jornais e revistas. Era uma época de muito trabalho, aprendizado, amizade e paixão pela imprensa.

 

Wilson fazia parte de uma geração que ajudou a construir o jornalismo pernambucano. Começou sua carreira na Rádio Clube e posteriormente integrou os Diários Associados, atuando no Diario de Pernambuco, onde foi repórter da editoria de Economia.

Ele conviveu profissionalmente com nomes importantes da imprensa de Pernambuco e pertenceu à geração que marcou as décadas de 1950, 1960 e 1970.

 

Seu conhecimento ultrapassava as redações. Wilson também deixou registros importantes sobre Pernambuco. Foi citado por Orlando Tejo no livro Zé Limeira, o poeta do absurdo, de 1973, e escreveu, em 2009, o artigo Maratona Sertaneja, uma importante retrospectiva sobre o desenvolvimento econômico do Estado.

 

Wilson Soares também presidiu o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco (Sinjope), deixando sua contribuição para a categoria.

 

Mas hoje, diante da sua partida, não quero falar apenas do currículo de Wilson.

 

Quero falar do homem que conheci. Do amigo que tive. Do mestre que me ensinou.

Muitos jornalistas passam pelas redações. Poucos conseguem permanecer na memória daqueles que aprenderam com eles.

Wilson permanece.

 

Permanece nas histórias, nas páginas dos jornais, nas conversas, nas lembranças e, principalmente, nos profissionais que tiveram a sorte de aprender com ele.

 

Eu fui um deles.

 

Obrigado, Wilson, por tudo que me ensinou. Obrigado pela amizade, pela confiança e pelos momentos que compartilhamos.

O jornalismo pernambucano perde um de seus grandes nomes.

 

E eu perco um amigo. Mas ganho para sempre a lembrança de ter tido um grande mestre.

Descanse em paz, Wilson Soares.

 

Flávio J. Jardim
Jornalista

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