19 anos da Lei Maria da Penha — e o grito ainda ecoa
Dezenove anos se passaram desde que a Lei Maria da Penha foi promulgada, trazendo esperança de que as mulheres brasileiras teriam, enfim, uma muralha legal contra a violência.
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
Publicado em
Mas a muralha parece ter rachaduras profundas. A cada dia, novas histórias sangram as páginas dos jornais e as redes sociais se tornam vitrines da brutalidade.
Agora foi Juliana que ficou desfigurada!
Juliana Garcia poderia ter sido mais um nome na estatística fria. Sobreviveu, milagrosamente, a 61 socos desferidos em apenas 37 segundos. Uma eternidade de dor comprimida no cubículo de um elevador, espaço que deveria ser neutro, seguro, anônimo. O agressor? O próprio namorado. O homem que, supostamente, deveria ser abrigo, tornou-se tempestade.
Que país é esse onde a lei existe, mas o medo mora junto com a vítima? Onde a coragem da mulher de denunciar é, muitas vezes, abafada pela sensação de que nada mudará? Onde o corpo feminino ainda é tratado como território livre para a fúria masculina?
Juliana está viva. E isso, por si só, é um milagre. Mas quantas não têm a mesma sorte? Quantas não conseguem escapar da próxima agressão? Enquanto a resposta for “muitas”, a Lei Maria da Penha, apesar de histórica, continuará sendo um belo texto engavetado para boa parte das brasileiras.
Dezenove anos depois, ainda é preciso repetir: basta!
Galba Macêdo
08/08/2025
Você precisa estar logado para comentar. Por favor, faça login ou crie a sua conta.
Ainda não há comentários para esta notícia. Seja o primeiro a comentar!