Política

SANHARÓ LIDERA GASTOS COM ZEZÉ DI CAMARGO E ACENDE DEBATE SOBRE PRIORIDADES NO USO DO DINHEIRO PÚBLICO

Enquanto municípios enfrentam desafios em áreas essenciais, cachês milionários pagos a artistas voltam a gerar questionamentos entre moradores e especialistas

Por Flávio José Jardim atualizado há 3 horas
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SANHARÓ LIDERA GASTOS COM ZEZÉ DI CAMARGO E ACENDE DEBATE SOBRE PRIORIDADES NO USO DO DINHEIRO PÚBLICO

 

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p (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

SANHARÓ (PE) - As contratações do cantor Zezé Di Camargo por prefeituras do interior de
Pernambuco voltaram a colocar em evidência uma discussão que se repete todos os anos
durante os festejos juninos: até que ponto é justificável o investimento de centenas de
milhares de reais em apresentações artísticas enquanto os municípios enfrentam demandas
permanentes em setores como saúde, educação, infraestrutura e assistência social?


Entre os contratos analisados, o maior valor é o de Sanharó, cuja emenda de um parlamentar
teria repassado recursos para contratar o artista por R$ 650 mil para as festividades juninas de
2026. O montante supera os valores pagos por Ibimirim e São José do Egito, que
desembolsarão R$ 500 mil cada, além de Serra Talhada, que contratou o cantor por R$ 450
mil.


Os números chamam atenção especialmente porque Sanharó pagará R$ 150 mil a mais que
Ibimirim e São José do Egito e R$ 200 mil a mais que Serra Talhada. Trata-se do maior cachê
entre as cidades comparadas, considerando exclusivamente a contratação do artista, sem
incluir despesas com palco, som, iluminação, segurança, hospedagem, alimentação e demais
custos operacionais do evento.


Na prática, o valor total investido nos festejos costuma ser muito superior ao cachê divulgado
oficialmente. Em diversos municípios brasileiros, a estrutura necessária para receber grandes
atrações pode representar centenas de milhares de reais adicionais aos cofres públicos.
A repercussão ganha força porque os valores envolvidos são expressivos para cidades de
médio e pequeno porte. Em Sanharó, por exemplo, os R$ 650 mil destinados ao cachê de uma
única apresentação equivalem ao valor necessário para a aquisição de aproximadamente
3.250 cestas básicas de R$ 200, tomando como referência preços praticados por
estabelecimentos da região.

 

O GLOBO

O debate não se restringe a Pernambuco. Reportagem do jornalista Lauro Jardim, publicada
em O Globo, revelou que Zezé Di Camargo recebeu ao menos R$ 2,21 milhões em contratos
firmados por prefeituras do interior do país entre 2024 e 2025, evidenciando uma prática
recorrente em diversas regiões brasileiras.


Um dos casos citados envolve o município de Teresina de Goiás, com apenas 2.701 habitantes.
Lá, a prefeitura desembolsou R$ 380 mil para um show do artista, valor equivalente a
aproximadamente R$ 141 por morador. O montante representou mais da metade dos recursos
destinados ao Fundo Municipal de Assistência Social durante seis meses.


Outro exemplo mencionado foi o de Nazário, também em Goiás, onde um contrato de R$ 400
mil para uma apresentação artística se aproximou do valor total investido pelo município em
políticas ambientais durante o mesmo período.


Já em Ribeirão Branco, no interior paulista, a contratação custou R$ 480 mil. Em Inhapim,
Minas Gerais, o cachê alcançou R$ 454,5 mil. O maior valor registrado na reportagem foi o de
Jales, em São Paulo, que desembolsou R$ 500 mil por uma única apresentação.

É LEGAL?

 

Embora a contratação de artistas por inexigibilidade de licitação seja prevista na legislação
brasileira, especialistas em gestão pública observam que a legalidade do procedimento não
elimina o debate sobre a razoabilidade dos gastos e a definição de prioridades administrativas.


Defensores dessas contratações argumentam que grandes atrações movimentam a economia
local, atraem turistas, fortalecem o comércio, geram empregos temporários e ampliam a
arrecadação durante os períodos festivos. Segundo essa visão, os eventos funcionam como
instrumentos de desenvolvimento econômico e promoção cultural.


Por outro lado, críticos questionam se os benefícios econômicos realmente compensam os
altos investimentos realizados. Para parte da população, especialmente em municípios que
enfrentam problemas estruturais, os valores destinados aos shows poderiam reforçar
programas sociais ou investimentos permanentes.


Uma fonte ligada à realidade administrativa de Sanharó explicou que muitos desses recursos
podem ser oriundos de programas específicos vinculados ao turismo e à promoção de eventos,
o que limita sua utilização para outras finalidades. Segundo essa interpretação, os recursos
seriam destinados exclusivamente ao setor de eventos e não poderiam ser transferidos
livremente para áreas como saúde ou educação.


Ainda assim, a utilização de emendas parlamentares e recursos federais para festividades
continua sendo alvo de fiscalização dos órgãos de controle. Ministério Público, Tribunais de
Contas e demais instituições costumam acompanhar a aplicação desses recursos para verificar
a legalidade dos contratos e a correta prestação de contas.

 

As regras do Ministério do Turismo estabelecem critérios específicos para aprovação dos
projetos, exigindo gratuidade ao público, potencial de atração turística, transparência na
execução e comprovação dos resultados alcançados. A pasta também exige documentação
detalhada sobre os gastos realizados.


Enquanto os festejos seguem atraindo multidões e movimentando as economias locais, a
discussão permanece aberta. Em Pernambuco, os R$ 650 mil pagos por Sanharó para trazer
Zezé Di Camargo colocam novamente em pauta uma pergunta que divide opiniões: qual deve
ser o limite entre o investimento em entretenimento e as demais necessidades enfrentadas
pelos municípios?

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p (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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