50 ANOS | TURMA CSD: A GERAÇÃO QUE O TEMPO NÃO CONSEGUIU SEPARAR
Cinco décadas depois, ex-alunos do Colégio Santa Doroteia transformam reencontro em uma celebração da amizade, da memória e da força dos laços que nasceram na infância e permanecem vivos em Pesqueira
Por Da Redação
atualizado há 4 horas
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PESQUEIRA (PE) - Existem lugares que nunca deixam de existir dentro da gente. Eles permanecem intactos, guardados na memória, esperando apenas o instante certo para despertar emoções adormecidas. O Colégio Santa Doroteia, em Pesqueira, é um desses lugares. Ali, entre salas de aula, recreios, filas para a capela, brincadeiras inocentes e os inesquecíveis corredores da escola, nasceu uma geração que descobriu o verdadeiro significado da amizade. Cinquenta anos depois, essa história voltou a ganhar vida em um reencontro que emocionou uma cidade inteira e mostrou que existem laços capazes de vencer qualquer distância e qualquer passagem do tempo.
No dia 18 de julho, o relógio pareceu voltar à infância. Idealizado por Ariselma Araújo e Anna Raquel, o encontro reuniu colegas que compartilharam os primeiros anos de vida escolar e que, em sua maioria, nasceram em 1976. O motivo oficial era celebrar meio século de vida. Mas, na prática, todos sabiam que havia algo muito maior acontecendo: reencontrar pessoas que ajudaram a construir as primeiras páginas de suas histórias.
A programação começou exatamente onde tudo havia começado décadas atrás: no Colégio Santa Doroteia. Bastou atravessar o portão para que os anos desaparecessem. Muitos não se viam havia mais de quarenta anos. Alguns dividiram apenas o Jardim da Infância; outros permaneceram juntos até a antiga segunda série primária. Mesmo assim, o reconhecimento foi imediato.
Os rostos amadureceram, os cabelos embranqueceram, mas os sorrisos continuavam exatamente os mesmos.
A emoção tomou conta da antiga capela. Em fila, como acontecia na infância, os ex-alunos reviveram um dos rituais mais marcantes da vida escolar. Muitos não conseguiram conter as lágrimas. Outros permaneceram em silêncio, observando cada detalhe do espaço onde aprenderam valores que ultrapassaram qualquer conteúdo ensinado em sala de aula. Era impossível não perceber que aquele reencontro tinha um significado muito mais profundo do que uma simples confraternização.
Entre tantos reencontros, um deles despertou uma memória afetiva compartilhada por todos. Lá estava Liu da Cantina, figura inesquecível para gerações de estudantes. O tradicional pãozinho voltou a ser servido e, por alguns instantes, todos voltaram a ser crianças. Pequenos gestos como esse transformaram o evento em uma verdadeira viagem no tempo.
A manhã também foi marcada pela presença de mestres que ajudaram a formar muito mais do que estudantes. Professores que ensinaram português, matemática ou história, mas, principalmente, ensinaram respeito, disciplina e humanidade. Genilda Sobral, Mana Sobral, Rejane Leite, Waldira Almeida, Francisca Ferreira e Linete Macedo foram recebidas sob aplausos e abraços demorados. Ausente fisicamente, Dona Lilian Freitas fez questão de enviar uma delicada mensagem, lembrando que a educação permanece viva na memória daqueles que um dia passaram por suas mãos.
Se a emoção dominou boa parte do encontro, o bom humor também encontrou espaço. Um dos momentos mais aguardados aconteceu quando Ricardo França, hoje advogado, e Ariselma Araújo apareceram vestidos com as antigas fardas do Jardim da Infância e da Alfabetização. A cena arrancou gargalhadas e despertou lembranças das travessuras de uma turma conhecida por viver intensamente cada fase da vida escolar. As histórias das "artes" de Ricardo voltaram naturalmente às conversas, mostrando que algumas brincadeiras permanecem eternizadas na memória coletiva.
À noite, o reencontro ganhou novos contornos no Ambrozina's Buffet. Embalados pelas bandas Sonora Aliança e Célio Gomes, os antigos colegas transformaram a comemoração em uma grande celebração da vida. Não havia formalidades. Apenas abraços, risos, fotografias, música e a sensação de que o tempo havia decidido fazer uma pausa para permitir que todos revivessem uma das fases mais felizes da existência.
Ao longo de todo o dia, ficou evidente que o Colégio Santa Doroteia nunca foi apenas uma instituição de ensino. Foi um lugar onde nasceram amizades que resistiram ao tempo, às mudanças de cidade, às diferentes profissões, às perdas, às conquistas e às inúmeras transformações que a vida impôs. Para aquela geração, a escola continua sendo um endereço afetivo, onde cada corredor guarda uma lembrança e cada sala conserva um pedaço da infância.
Participaram desse reencontro memorável Aline Maciel, Angela Medeiros, Arlene Cristina, Ariselma Araújo, Ana Bolena, Alessandra Cavalcanti, Andreia Lúcia, Andréa Vieira, Anna Raquel, Alexandre Almeida, Cadu Brito, Danielle Monteiro, Elizomar Vasconcelos, Edson Jorge, Emanuella Francklin, Fábia Roberta, Gilmar André, Gilwalraid Tenório, Greezy Duque, Gustavo Costa, Heriberto Jr., Jacquelyny Oliveira, Juliano Aragão, Klécia Lins, Mário Jorge Freitas, Marcílio Vasconcelos, Marília Falcão, Galbaniedys, Mozart Pantaleão, Otto Barros, Paulo Marcelo, Paulo Ricardo, Renata Figueiredo, Renato Cavalcanti, Ricardo França, Rommel Araujo, Silvaneide Costa, Tarcisio Oliveira, Tarciana Monteiro, Mayanna Santos, Felipe Furtado, Hugo Cecilio, João Prudêncio, Conceição Oliveira e Ana Laura. Cada nome representa uma história única, mas todos compartilham a mesma origem: o Santa Doroteia.
Um dos momentos mais marcantes da noite foi protagonizado por Marília Falcão, que deu voz ao sentimento coletivo ao ler um texto especialmente preparado para a ocasião. Em palavras delicadas, ela lembrou que as amizades verdadeiras nascem de gestos simples — um recreio compartilhado, uma brincadeira, um segredo dividido, um abraço depois de uma prova — e que o tempo, em vez de enfraquecê-las, apenas lhes atribui ainda mais valor.
Ao citar Antoine de Saint-Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe, Marília encontrou a síntese perfeita para aquele reencontro: "Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez tua rosa tão importante." A frase ganhou novo significado diante de uma turma que dedicou décadas à preservação de vínculos construídos ainda na infância. Ali, cada abraço carregava meio século de histórias.
Também houve um emocionado reconhecimento ao papel dos professores. Afinal, eles não apenas ensinaram conteúdos escolares; ajudaram a moldar sonhos, incentivar talentos e construir cidadãos. Em cada profissão seguida pelos antigos alunos existe um pouco da dedicação daqueles mestres que acreditaram em seus estudantes quando eles ainda descobriam o mundo.
O mais bonito daquele reencontro talvez tenha sido perceber que ninguém voltou apenas para recordar o passado. Todos estavam ali para construir novas lembranças. As fotografias tiradas naquele dia certamente ocuparão, no futuro, o mesmo espaço de carinho reservado às antigas imagens em preto e branco dos tempos de escola. Afinal, a história continua sendo escrita.
Antes da despedida, surgiu uma promessa feita quase em uníssono: o reencontro não poderia terminar ali. A agenda para 2027 já foi confirmada. Será mais um capítulo dessa bela tradição criada por uma geração que aprendeu, ainda na infância, que amizades verdadeiras precisam ser cultivadas para florescer durante toda a vida.
Mais do que celebrar cinquenta anos de idade, a Turma dos 50 celebrou aquilo que o tempo jamais conseguiu apagar: o afeto, a gratidão e o sentimento de pertencimento. Em um mundo marcado pela velocidade das relações, o reencontro dos ex-alunos do Colégio Santa Doroteia deixou uma mensagem poderosa. Algumas histórias não envelhecem. Algumas amizades não se desfazem. E alguns lugares permanecem eternamente vivos dentro do coração de quem um dia teve o privilégio de chamá-los de segunda casa.
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