Política

BR-232, Rota da Morte: Motociclistas São as Novas Vítimas em Pesqueira

Operação Rodovia Segura tenta conter onda de acidentes fatais envolvendo motos. Números revelam tragédia crescente.

Por Flávio José Jardim atualizado há 1 ano
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BR-232, Rota da Morte: Motociclistas São as Novas Vítimas em Pesqueira

A BR-232, estrada que corta Pesqueira, tem sido palco de uma tragédia silenciosa, marcada por sangue, sirenes e despedidas. Entre janeiro e março deste ano, seis pessoas perderam a vida na rodovia — cinco delas estavam em motocicletas. O dado é alarmante. Em 2023, nenhum sinistro com morte havia sido registrado nesse mesmo trecho. A curva da estatística virou — e levou vidas com ela.

 

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) respondeu com a "Operação Rodovia Segura", iniciada na terça-feira (22). 

 

O foco é coibir o uso irregular de motocicletas, especialmente em relação à ausência de habilitação, uso de capacete e equipamentos obrigatórios. O cenário investigado aponta para um comportamento arriscado por parte dos condutores: nos quatro acidentes fatais mais recentes, três motociclistas sequer tinham habilitação. O quarto nem foi identificado.

 

A imprudência tem forma, hora e endereço. Segundo os dados, as colisões frontais lideram as causas dos sinistros, muitas vezes resultado de ultrapassagens perigosas. Em uma fração de segundo, vidas são desfeitas. O corpo, lançado ao asfalto; o capacete, às vezes ausente; e uma família, condenada ao luto eterno. A estrada de asfalto negro virou corredor da morte.

 

Em todo o território da Delegacia de Garanhuns, que inclui Pesqueira, a tendência também é preocupante. Em 2023, foram registrados 115 acidentes com 21 mortos. Em 2024, os números saltaram: 149 ocorrências, 153 feridos e 32 mortes. O número de mortos em três meses já supera o do ano anterior inteiro. A escalada é clara. E assustadora.

 

O combate da PRF, embora necessário, enfrenta resistência cultural. Muitos motociclistas ainda ignoram leis básicas, e a fiscalização, apesar do esforço, não consegue cobrir todos os pontos. A operação conta com apoio do Grupo de Motociclismo Policial e outras delegacias da PRF no estado. Mas sem uma mudança de consciência coletiva, as estatísticas continuarão implacáveis.

 

Em Pesqueira, cada moto que parte pode ser o prenúncio de uma tragédia. A cidade assiste à carnificina moderna alimentada por pressa, descuido e despreparo. O asfalto, que deveria ser caminho, virou destino final. A urgência agora é por sobrevivência — e por respeito à vida.

 

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mtos (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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