Conflito e Gás de Pimenta: Deputada Indígena é Alvo Durante Marcha em Brasília
Acampamento Terra Livre termina com repressão policial e tensão em frente ao Congresso
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
Publicado em
Na tarde desta quinta-feira (10), Brasília, palco da política nacional, viu erguer-se também um grito ancestral. O Acampamento Terra Livre, a maior mobilização indígena do país, marchou em direção ao Congresso Nacional em defesa dos direitos originários. Mas o que deveria ser um ato pacífico terminou em confusão, repressão e gás de pimenta. Entre os atingidos, estava a deputada federal Célia Xakriabá (PSOL-MG), ela mesma indígena, símbolo da resistência de seu povo.
Vídeo
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Por volta das 18h30, enquanto centenas de indígenas de várias etnias se aproximavam da entrada do Congresso, houve um confronto com a barreira de segurança. Algumas grades foram derrubadas, e a Polícia Legislativa respondeu com bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta. O cenário, em poucos minutos, tornou-se caótico. Muitos passaram mal com falta de ar. Entre eles, a parlamentar.
Mesmo identificando-se como deputada, Célia Xakriabá foi atingida pelo spray. Com dores nos olhos e dificuldades respiratórias, buscou a Polícia Legislativa para prestar depoimento e, depois, foi encaminhada para atendimento médico. Em vídeo que circula nas redes sociais, é possível vê-la questionando os policiais: “Eu sou deputada federal, vocês estão me agredindo?”. A indignação não era apenas dela, mas de todos os que presenciaram a cena.
O ato fazia parte do encerramento da semana de mobilização dos povos originários. A marcha, que saiu da antiga Funarte, carregava faixas, cantos e rituais. Pedia respeito à demarcação de terras e denunciava projetos de lei que ameaçam os direitos indígenas. A repressão, em contraste com a força simbólica da caminhada, tornou-se um gesto de violência institucional que repercutiu por todo o país.
A Polícia Militar do Distrito Federal, que acompanhava o protesto desde o início, afirmou ter agido para conter o avanço sobre áreas restritas. No entanto, a resposta considerada desproporcional acendeu críticas severas de parlamentares, entidades e organizações de direitos humanos. O Congresso virou palco de mais do que política: foi, por instantes, um campo de disputa entre opressão e resistência.
A presença de Célia Xakriabá e sua ferida visível resumem a ferida maior do Brasil: a incapacidade de lidar com sua própria origem. A marcha terminou, mas o clamor ancestral segue ecoando. E agora mais forte.
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