Política

Inclusão, Resistência e Justiça: O Povo Xukuru Ocupa Brasília com Voz e Presença

Com o coração pulsando no coletivo, Cacique Marcos e Guila Araújo fortalecem a marcha dos povos originários no ATL 2025

Por Flávio José Jardim atualizado há 1 ano
Publicado em

Inclusão, Resistência e Justiça: O Povo Xukuru Ocupa Brasília com Voz e Presença

Na imensidão de concreto da Esplanada dos Ministérios, onde tantas vezes as vozes indígenas foram silenciadas por muros simbólicos e reais, um novo capítulo de resistência se escreveu. Em meio à multidão colorida pelo cocar, pelo maracá e pela ancestralidade viva, o povo Xukuru do Ororubá fez-se presente com ainda mais força no Acampamento Terra Livre 2025 (ATL). E, entre tantos passos firmes rumo à justiça, um deles teve um peso especial: o de Dan, do coletivo @dxukuru, que pela primeira vez pôde marchar com seu povo em Brasília.

 

Dan, que por conta de sua dificuldade de locomoção não havia conseguido participar fisicamente das edições anteriores, realizou um sonho antigo. Sua presença, mais do que um gesto de inclusão, foi um grito de resistência. Ao sentir a energia coletiva de seu povo e da luta que pulsa há séculos nos territórios indígenas, ele se tornou símbolo da permanência e da força ancestral que move a causa indígena no Brasil. Marchar, ali, não era apenas um deslocamento físico — era um ato político, espiritual e histórico.

 

Para o cacique Marcos Xukuru, essa foi uma cena carregada de significado. “Estar todos juntos, em comunhão, sem que ninguém fique para trás, é a essência da luta Xukuru. Nossa força está no coletivo, na escuta e na caminhada conjunta”, declarou. A imagem de Dan em meio à multidão tornou-se um retrato da resistência plural dos povos originários, onde cada corpo, cada voz, cada sonho conta — e não há luta menor quando se trata de existir.

 

 

 

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Em outra frente, o advogado e ativista Guila Araújo marcou presença no debate “O Acordo sem Voz”, realizado na quarta-feira, também dentro da programação do ATL. A discussão trouxe à tona os perigos da chamada "mesa de conciliação" proposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que, segundo Guila e outros juristas presentes, ameaça transformar direitos constitucionais em meras moedas de negociação. “Não se negocia o que é originário. Nossa terra não está à venda, nem sob barganha”, afirmou Guila, com a firmeza de quem conhece o peso da história que carrega.

 

A denúncia é clara: a tentativa de resolver conflitos fundiários por meio de acordos, sem a participação direta dos povos afetados, esvazia a legitimidade do processo e ignora os direitos conquistados a duras penas. "É inconstitucional, ilegítima, injusta e imoral", como disseram, em uníssono, lideranças indígenas e especialistas. A luta, como sempre, é por dignidade, não por concessões.

 

Diante desse cenário, o povo Xukuru, com seu território sagrado no coração de Pesqueira-PE, reafirma seu papel de liderança nas lutas nacionais. Em cada passo na Esplanada, em cada fala nos debates, em cada gesto de acolhimento mútuo, ecoa uma verdade inegável: os povos originários não pedem permissão para existir — eles exigem respeito, justiça e espaço. E, como disse Guila ao final da mesa: “Seguiremos firmes, por nós, pelos nossos ancestrais e por aqueles que ainda virão.”

 

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a (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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