Julgamento do Cacique Marcos será retomado em até 30 dias pelo TRE-PE
Pedido de vista adia decisão sobre possível cassação e mantém Pesqueira em suspense político; população acompanha cada passo como se fosse uma final de campeonato
Por Flávio José Jardim
atualizado há 4 meses
Publicado em
O julgamento do prefeito Cacique Marcos, de Pesqueira, foi suspenso temporariamente pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) e deverá ser retomado dentro de 20 a 30 dias, em data ainda a ser definida pela Corte. O adiamento ocorreu após o desembargador Washington Luís Macêdo de Amorim pedir vistas do processo, alegando necessidade de uma análise mais detalhada do caso. Enquanto o tribunal não volta a se reunir, o prefeito segue exercendo normalmente suas funções, em meio a um clima de expectativa que domina toda a cidade.
A sessão do TRE-PE, realizada na última terça-feira (7), começou às 9h30 e foi acompanhada por milhares de pessoas, tanto no plenário quanto nas transmissões ao vivo pela internet. A defesa e a acusação apresentaram seus argumentos diante de um público atento, que tratava o julgamento como um evento histórico. O relator, desembargador Paulo Machado Cordeiro, votou pela manutenção da sentença de primeira instância que determinava a cassação do prefeito e da vice-prefeita Cillene, abrindo o placar de 1 a 0 contra o Cacique.
Quando o pedido de vista foi anunciado, um murmúrio tomou conta do plenário. A notícia se espalhou rapidamente por Pesqueira, ecoando nos grupos de WhatsApp, nas feiras e até nas igrejas. “Agora é esperar”, comentava um morador, enquanto outro lamentava: “Essa novela ainda vai longe”. O fato é que o julgamento, que poderia definir de imediato o futuro político da cidade, ganhou um novo capítulo — e uma nova pausa carregada de tensão.
O processo em questão trata de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), movida pela oposição, que acusa o prefeito de abuso de poder político nas eleições de 2024. Segundo a denúncia, uma obra de asfaltamento teria sido realizada em período vedado, configurando vantagem indevida. Já a defesa sustenta que o serviço fazia parte de um planejamento técnico da prefeitura e não tinha qualquer relação com fins eleitorais. “Foi uma ação administrativa regular, e não uma estratégia de campanha”, afirmou um dos advogados do prefeito durante o julgamento.
Com o pedido de vista, o desembargador Washington Luís passa a ter a responsabilidade de aprofundar a análise e, posteriormente, apresentar seu voto. Só então o processo voltará à pauta para definição do veredito final. Até lá, o destino político do Cacique Marcos permanece em suspenso, e a cidade, em compasso de espera. Pesqueira, conhecida por sua forte identidade cultural e por seu fervor político, acompanha o caso com os nervos à flor da pele.
O presidente da Câmara de Vereadores, Guila Araújo, surge como figura estratégica nesse cenário. Caso a cassação seja confirmada, ele assumirá interinamente a prefeitura. Guila, no entanto, adota postura discreta e evita qualquer tipo de manifestação pública sobre o caso, afirmando apenas que “a Câmara está pronta para cumprir o que determinar a Justiça”. Nos bastidores, é visto como uma liderança capaz de manter o equilíbrio político num momento de incerteza.
A sessão que resultou no adiamento foi presidida pelo desembargador Cândido José da Fonte Saraiva de Moraes, e teve ampla repercussão em todo o estado. Advogados e observadores políticos classificaram o processo como “um divisor de águas” na história eleitoral pernambucana. “É um caso emblemático, que envolve não apenas questões legais, mas também o peso simbólico de um líder indígena na política municipal”, destacou um especialista em direito eleitoral.
Enquanto o processo aguarda novo julgamento, o cotidiano de Pesqueira se mistura com a expectativa. Nos mercados, nos rádios e nas redes sociais, o assunto é onipresente. “Qual será o próximo voto?”, pergunta o povo, entre sorrisos e apreensões. Para muitos, o Cacique representa não apenas um político, mas uma identidade coletiva, uma figura que mobiliza paixões e rivalidades há anos.
O voto do relator, que manteve a cassação, foi considerado um duro golpe para o grupo político do prefeito. Ainda assim, a defesa segue confiante. “Acreditamos na Justiça e estamos seguros de que a decisão final será favorável”, declarou um dos advogados. O próprio Cacique, segundo pessoas próximas, tem mantido uma postura serena, concentrado nas ações administrativas e na continuidade de obras e programas sociais.
Em contrapartida, a oposição celebra o primeiro voto como uma “vitória da legalidade”. Líderes adversários ressaltam que “a democracia se fortalece quando as regras são respeitadas”. O embate jurídico, que deveria se restringir aos tribunais, transbordou para as ruas e para o imaginário popular — tornando o caso mais que uma disputa eleitoral: um símbolo da luta entre poder, justiça e destino.
Com o julgamento adiado, o tempo se torna o principal juiz. O intervalo de 20 a 30 dias será de intensas articulações, análises e especulações. A cada semana que passa, a expectativa cresce, e o silêncio do TRE-PE se transforma em combustível para boatos e esperanças. Em Pesqueira, o julgamento do Cacique virou assunto diário — uma mistura de suspense político e fé popular.
Até o dia em que o processo retornar à pauta, o Cacique Marcos continua no comando da prefeitura, governando sob a sombra de um veredito que pode mudar tudo. O desfecho ainda é uma incógnita, mas uma certeza já se impõe: o julgamento do Cacique entrou para a história de Pesqueira como um dos episódios mais marcantes da política pernambucana — e o povo aguarda, ansioso, o próximo capítulo dessa saga judicial.
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