JÚLIA EDUARDA | Sepultamento de jovem grávida comove São Bento do Una e reacende debate sobre feminicídio
A noite de segunda-feira (17) marcou um dos momentos mais dolorosos da história recente de São Bento do Una.
Por Flávio José Jardim
atualizado há 4 meses
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Em silêncio, centenas acompanharam o cortejo fúnebre de Júlia Eduarda Andrade dos Santos, 26 anos, assassinada a marteladas quando saiu para buscar dinheiro para um simples ultrassom. O som das toadas preferidas por ela rasgava o silêncio das ruas, transformando tristeza em homenagem.
Júlia havia desaparecido no dia 5. Sonhando com o bebê que carregava há quatro meses, saiu de casa com o propósito de cuidar da gestação. No caminho, cruzou seu destino com Aguinaldo Nunes Soares, 43 anos, que confessou o crime. Dias depois, o corpo em decomposição foi encontrado em uma área de mata de Sanharó, encerrando qualquer esperança de reencontro.
O cortejo fúnebre reuniu amigos, familiares e moradores inteiros da cidade. Em lágrimas, muitos seguravam flores, enquanto outros caminhavam em silêncio profundo, sem encontrar palavras diante de tamanha brutalidade. O carro de som, tocando vaquejadas, lembrava a mulher forte, simples e cheia de sonhos que Júlia foi.
Mãe de quatro filhos, Júlia carregava no olhar o desejo de criar uma família feliz, de seguir a paixão pela vaquejada e de viver com dignidade. Sua vida, no entanto, foi arrancada num ato de violência que deixou marcas profundas e difíceis de cicatrizar.
A comoção transformou-se rapidamente em revolta. O feminicídio reacendeu discussões urgentes sobre proteção às mulheres, ciclos de violência e o perigo constante enfrentado por tantas brasileiras. O nome de Júlia passou a simbolizar uma ferida social que insiste em não fechar.
Ao fim da despedida, aplausos e lágrimas se misturaram. Júlia partiu, mas deixou para trás um clamor coletivo: que nenhuma mulher precise morrer para que a sociedade acorde. No Agreste, sua história ecoa como um grito por justiça e mudança.
Por Portal do Agreste: Fotos, vídeo e informações
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