Juliana partiu... não morreu no vulcão, morreu no silêncio!
Juliana caiu.
Por Da Redação
atualizado há 10 meses
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Não tropeçou numa calçada, nem escorregou num penhasco comum. Ela caiu dentro de um vulcão — na Indonésia, na vida, na história. Aqueles que a viram pela última vez antes do abismo jamais imaginaram que o fim seria tão cinematográfico, tão cruelmente simbólico.
Mas Juliana não morreu na queda.
O vulcão a quis por testemunha, não por vítima imediata. Ela sobreviveu ao calor, ao impacto, às pedras afiadas da cratera. Saiu viva do ventre da terra como se dissesse ao mundo: a natureza me tentou, mas não me levou. E esse deveria ter sido o milagre. Era para ser o começo de uma história sobre resistência, sobre a força absurda de uma jovem contra todas as probabilidades.
Mas Juliana não morreu na queda — morreu na espera.
Esperou pelo resgate que não veio a tempo. Esperou por helicópteros que demoraram mais que a dor. Esperou por vozes humanas que nunca desceram fundo o bastante para ouvi-la. Esperou enquanto o corpo resistia e o espírito apertava os olhos, tentando enxergar algum movimento lá no alto. E lá em cima, o mundo hesitava.
Foram horas ou dias? Já não importa. O que fica é a ferida: não a do vulcão, mas a da negligência. Porque Juliana venceu o impossível, mas perdeu para o que é, teoricamente, possível. Morreu pela falha que não vem da natureza, mas da humanidade.
A cratera que a engoliu agora é também símbolo da omissão. Um buraco aberto não apenas na terra, mas no tempo, na consciência, na burocracia que mede socorro com régua e relógio. Ali, naquele silêncio de pedra e fumaça, Juliana ensinou que há tragédias que não são causadas por erupções, mas pela espera que queima mais do que a lava.
Juliana caiu. Juliana resistiu. Juliana morreu — não porque era fraca, mas porque o mundo foi lento.
Galba Macêdo
Junho/2025
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