O CAFÉ E O LOURO JOSÉ: A Ironia Política que Incendiou Pesqueira
Guila Araújo provoca Delegado Rossine após confirmação de inelegibilidade pelo TRE-PE
Por Flávio José Jardim
atualizado há 8 meses
Publicado em
A cena política de Pesqueira voltou a ferver nesta quinta-feira, 13, quando o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco confirmou a inelegibilidade do ex-prefeito e Delegado Rossine, encerrando — ao menos por agora — um capítulo da disputa que já atravessa eleições, rádios e redes sociais. O que era para ser apenas mais uma atualização judicial tornou-se combustível para o embate que marca a relação entre Rossine e Guilherme Araújo, o Guila, um dos líderes da tribo Xukuru e atual presidente da Câmara.
A história ganhou contornos ainda mais simbólicos porque, todas as sextas-feiras, Pesqueira acordava com o tradicional programa “Café com o Delegado”, marcando presença na rotina da cidade, misturando política, opinião e ataques velados aos adversários. Era quase um ritual local. Mas a confirmação da inelegibilidade veio justamente na véspera: quinta-feira, dia 13. O timing perfeito — ou cruel — para virar munição.
E virou. Com a ironia fina de quem domina o jogo do subtexto, Guila publicou nas redes sociais:
“Sexta-feira é dia de Café com o Dele… Eita, não… pera… o café acabou.”
Em poucas linhas, disparou mais forte que qualquer ataque direto. O vídeo, amplamente compartilhado, escancarou o clima de fim de ciclo — ou de começo de outro.
A postagem caiu como faísca em gasolina na cena política. Aliados do Delegado acusaram deboche, falta de respeito e oportunismo; defensores de Guila celebraram o humor como resposta histórica a anos de provocações no rádio. Quem acompanhava o velho programa matinal entendeu a referência imediatamente — e muitos viram ali o símbolo do desfecho de uma rivalidade que se torna cada vez mais pública.
O episódio marca mais um capítulo dessa disputa que ultrapassa o campo institucional. É uma disputa de narrativas, de território simbólico, de quem consegue interpretar o momento político com mais astúcia. E, dessa vez, Guila fez o movimento mais comentado.
Se o café acabou, como diz o presidente da Câmara, ninguém sabe. Mas uma coisa é certa: o aroma dessa briga política ainda deve perfumar — ou intoxicar — Pesqueira por muito tempo.
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