Política

O Último Capítulo de Collor: Prisão do Ex-presidente Abala a Política Brasileira

Fernando Collor, condenado por corrupção na Lava Jato, é preso em Maceió após tentativa de entrega voluntária

Por Flávio José Jardim atualizado há 1 ano
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O Último Capítulo de Collor: Prisão do Ex-presidente Abala a Política Brasileira

Na madrugada desta sexta-feira, 25 de abril de 2025, o Brasil acordou com a notícia que parecia impossível: Fernando Collor de Mello, ex-presidente da República e figura emblemática da política nacional, foi preso em Maceió, Alagoas. Aos 75 anos, ele se dirigia espontaneamente para Brasília para cumprir a sentença imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas foi detido antes de embarcar. A prisão foi confirmada por sua defesa, que afirmou que o ex-presidente estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal na capital alagoana.​

 

A condenação de Collor remonta a 2023, quando o STF o sentenciou a oito anos e dez meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia, entre 2010 e 2014, Collor teria recebido R$ 20 milhões em propinas da UTC Engenharia para facilitar contratos da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. A denúncia foi baseada na delação premiada de Ricardo Pessoa, ex-presidente da UTC.​

 

O julgamento foi longo e polêmico. O relator, ministro Edson Fachin, propôs uma pena de 33 anos e 10 meses para Collor, considerando sua posição de destaque e a gravidade dos crimes. No entanto, o tribunal decidiu por uma pena menor, de 8 anos e 10 meses, além de 90 dias-multa e a obrigação de indenizar a União em R$ 20 milhões. Collor também ficou proibido de exercer cargo público por prazo equivalente ao dobro da pena.​

 

A defesa de Collor recorreu da decisão, mas o STF manteve a condenação em novembro de 2024, com um placar apertado de 6 votos a 4. Os ministros entenderam que não havia irregularidades na sentença e que a pena era proporcional aos crimes cometidos.

 

A prisão de Collor marca um momento decisivo na história política do Brasil. Ele foi o primeiro presidente eleito democraticamente após a ditadura militar, mas teve seu mandato interrompido por um impeachment em 1992, acusado de corrupção. Após anos afastado da política, Collor retornou como senador por Alagoas em 2007, mas sua trajetória foi novamente marcada por escândalos e investigações.​ 

 

O caso Collor é emblemático da Operação Lava Jato, que revelou um esquema de corrupção envolvendo políticos, empresários e empresas estatais. A operação levou à prisão de diversas figuras proeminentes, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujas condenações foram posteriormente anuladas. No entanto, a prisão de Collor demonstra que o combate à corrupção continua sendo uma prioridade para o sistema judiciário brasileiro.​

 

A sociedade brasileira acompanha atentamente os desdobramentos desse caso. A prisão de um ex-presidente é um marco significativo, que reforça a ideia de que ninguém está acima da lei. No entanto, também levanta questões sobre a seletividade da justiça e a efetividade das instituições no combate à corrupção.​

 

Enquanto isso, Collor permanece em silêncio. Não há declarações públicas de sua parte desde a prisão. O futuro político do ex-presidente é incerto, mas sua prisão certamente deixará uma marca indelével na história do Brasil.

 

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collor
collor (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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