Sociedade

Os obstáculos de um cadeirante. Amigos de Jaílson fazem campanha para compra de cadeira de rodas motorizada

José Jaílson Lopes, pesqueirense, um cadeirante como muitos no país, conta as adversidades do dia a dia e como a ida a um banco ou ao comércio torna-se uma tarefa quase impossível

Por Flávio José Jardim atualizado há 5 anos
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Os obstáculos de um cadeirante. Amigos de Jaílson fazem campanha para compra de cadeira de rodas motorizada

       José Jaílson Araújo Lopes é um pesqueirense de fibra. Tem 45 anos, lutou contra um tumor medular, teve sequelas permanentes e agora está impossibilitado de andar. Ficou cadeirante e enumera os grandes desafios que é “ser cadeirante” numa cidade onde a topografia não ajuda.

       As ladeiras, as ruas estreitas, a falta de rampas e banheiros não adaptados. Além disso, muitos desinformados (para usar uma palavra menos dura) não respeitam os estacionamentos exclusivo para portadores de deficiência.

       Em entrevista, ele cita os principais problemas e as situações que todo cadeirante passa no cotidiano.

       Uma simples calçada, degraus, escadas, banheiros estreitos e a falta de respeito de algumas pessoas são verdadeiros obstáculos na vida do portador de deficiência.

       A falta de acessibilidade é um problema grave, enfrentado diariamente para quem precisa ir para o trabalho, estudo ou lazer. “São barreiras físicas e sociais que dificultam a vida de quem utiliza cadeira de rodas para locomoção”, diz Jaílson.

       A maioria dessas barreiras tornam-se invisíveis para o cidadão comum, mas atrapalha o dia a dia do cadeirante. A dificuldade de circular em espaços públicos, que têm calçadas desniveladas, esburacadas ou estreitas, além da falta de rampas de acesso ou rampas de acesso mal feitas são intransponíveis.

       Uma Lei Federal assegura a reserva de vagas especiais para pessoas com deficiência em estacionamentos, mas poucos cumprem. A lei diz que 5% do total de vagas sejam voltadas para idosos e 2% a pessoas com deficiência.

       Mas, assegurar não facilita a vida do cadeirante. Para ser verdadeiramente facilitadora, a vaga do estacionamento precisa estar próxima na porta, o que muitas vezes não acontece. Outro problema apontado, por incrível que pareça é “Ser o centro das atenções ou o ‘coitadinho’”.

       Não só Jaílson como outros cadeirantes relatam que quando saem de casa, são seguidos por olhares com curiosidade e até de estranheza. Outros, veem como “inválidos”. Jaílson frisa que já foi a um banco e um funcionário disse claramente: “É melhor você ficar em casa e mandar uma pessoa vir resolver suas coisas”.

       “Eu já quero resolver minhas ‘coisas’ justamente para me tornar útil. Aquela frase me destruiu por dentro”, destaca Jaílson. “Infelizmente, a falta de informação é um grande problema na sociedade. Muita gente nunca conviveu ou teve contato com um cadeirante, mas isso não justifica o olhar e o tratamento invasivo”.

       Lamentavelmente, o preconceito ainda é um problema gravíssimo em pleno tempos atuais para cadeirantes. 

       As perguntas inconvenientes ou comentários maldosos são inaceitáveis. São indagações incríveis, desde “Isso dói?” ou “como você toma banho?” e até questionamentos de foro íntimo.

       O maior preconceito, segundo ele, é ficar fora do mercado de trabalho. “As pessoas acham que porque a pessoa cadeirante tem benefício ou aposentadoria os sonhos acabaram. Toda pessoa sonha em melhorar de vida, virar empresário ou criar empresas”, revela.

LEI DE COTAS

       A Lei nº 8213/1991, conhecida como Lei de Cotas, já especifica que as empresas devem oferecer de 2% a 5% das vagas para pessoas com deficiência. Na prática, segundo Jaílson, isso não acontece. O preconceito e a falta de acessibilidade de muitas empresas desfavorecem a contratação.

       Com a pandemia do Novo Coronavírus e o gigantesco avanço da tecnologia, as vagas estão aumentando e sendo preenchidas também por cadeirantes. O trabalho remoto ou de telemarketing são opções.

       Outro grave erro, que muitas pessoas não sabem ou não se “tocam”, por exemplo, é quando um cadeirante se depara com uma escada e alguém se propõe a carregá-lo, mas ele não se sente confortável. Mesmo que a pessoa insista, ele não precisa aceitar se não estiver confiante.

       Ser carregado por alguém sem experiência pode ser perigoso e traumático, o PCD pode ficar muito assustado ou pior, pode acabar sendo derrubado ou tendo a cadeira danificada. De qualquer forma, não vale o risco.

ANJOS

       Ao longo de sua vida, de sua trajetória, de seu tratamento, Jaílson amealhou muitos amigos, que ele considera verdadeiros "anjos". Um caso interessante, foi como ele conheceu a psicopedagoga clínica Elisabeth Carvalho, que trabalha no PODE, em Pesqueira.

       O neto dela, Vallenthin Lourenzo Lima, tinha 1 ano e seis meses, e brincava com o celular da avó. Mexeu nos comandos do smartphone e sem querer solicitou a amizade de Jaílson. Nem Elisabeth nem o garoto conheciam Jaílson.

       Ele aceitou a amizade e ela pediu desculpas. Conversaram um pouco e descobriram que ele era cadeirante e ela trabalhava no PODE, uma entidade que dá assistência a pessoas com algum tipo de deficiência. Daí, isso gerou uma grande amizade e Elisabeth sempre o ajuda. “Foi um anjo mesmo. O menino sem querer solicitou amizade e conheci uma grande amiga, Elisabeth”, diz Jaílson.  

       Outros “anjos” apareceram na vida de Jaílson, como ele conta no podcast (áudio) que vc pode ouvir logo abaixo. (Num dos áudios, Jaílson é interrompido pelas lágrimas, mas logo em seguida volta a falar).

       Jaílson é casado há 21 anos como Simone Ferreira Araújo, uma mulher forte e batalhadora que sempre amou e ajuda o marido. O casal tem três filhas que eles cuidam com grande afeto e amor.

       Agora, os amigos de Jaílson vão realizar uma rifa para tentar adquirir a cadeira de roda motorizada, que tanto vai facilitar sua vida. Ajude. Colabore. Veja como:

       “Quero voltar a viver feliz. Me ajudem a conseguir a essa cadeira. Quero sorrir de novo. Aqueles que não podem ajudar, eu agradeço e peço apenas que orem para que eu consiga essa cadeira. Muito obrigado”, desabafou José Jaílson.

SERVIÇO

       Quem puder ajudar, pode procurar José Jaílson na Rua Frei Caneca, número 137, bairro São Sebastião, Pesqueira – PE. Ele também deixou uma conta para quem puder ajudar: Caixa Econômica Federal, agência 0775, operação 013, conta 00012768-6. (José Jaílson Araújo Lopes).

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