Política

PAI NOSSO | Oração Antes das Sessões: iniciativa da Câmara de Sanharó emociona população e resgata respeito no parlamento

Em tempos de tensão, conflitos e agressões em câmaras municipais de todo o Brasil, presidente Guto do Salgado aposta na fé, no diálogo e na humanização da política

Por Flávio José Jardim atualizado há 2 horas
Publicado em

PAI NOSSO | Oração Antes das Sessões: iniciativa da Câmara de Sanharó emociona população e resgata respeito no parlamento

 

painosso
painosso (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

SANHARÓ (PE) - Em meio a um cenário nacional marcado por discussões violentas, ofensas e
episódios lamentáveis dentro de parlamentos municipais, a Câmara de Vereadores de Sanharó
decidiu seguir um caminho diferente: o da serenidade, do respeito e da espiritualidade. A
iniciativa partiu do presidente da Casa, Gutemberg Leite da Rocha, que propôs um gesto
simples, mas carregado de simbolismo humano: a oração do Pai Nosso antes do início de cada
sessão legislativa.


A medida começou oficialmente na reunião realizada na quarta-feira, 20 de maio de 2026, e
imediatamente chamou atenção pela sensibilidade. Antes dos debates, discursos e votações,
vereadores, servidores, colaboradores e cidadãos presentes foram convidados, de forma
espontânea e sem qualquer imposição religiosa, a participar da oração. O clima foi de silêncio,
reflexão e união.


Segundo Guto do Salgado, a proposta não possui qualquer intenção de promover religião
específica ou constranger quem pensa diferente. Pelo contrário. A ideia, segundo ele, é
devolver humanidade ao ambiente político, fortalecer o respeito entre os parlamentares e
lembrar que a Câmara deve ser um espaço de construção coletiva e não de guerras pessoais.

CENAS DEPLORÁVEIS

 

A iniciativa surgiu justamente diante do crescimento de episódios agressivos em casas
legislativas de todo o país. Nos últimos meses, o Brasil assistiu a cenas que chocaram a
população: vereadores trocando ameaças, empurrões, gritos, palavrões e até agressões físicas
dentro de plenários. O ambiente político, que deveria representar equilíbrio e civilidade,
acabou se tornando palco de confrontos lamentáveis.


Um dos casos mais recentes aconteceu na Câmara Municipal de Camocim. Durante uma
sessão, o vereador James do Peixe ameaçou publicamente o vereador Marcos Coelho após
críticas feitas na tribuna. Minutos depois do encerramento da reunião, o clima saiu do campo
político e chegou à violência física, com empurrões e socos dentro do plenário, gerando
indignação popular e repercussão nacional.

 

Na Câmara Municipal de São Paulo, outra cena de tensão tomou conta das discussões
envolvendo servidores públicos e educação. Durante o debate sobre reajuste salarial,
declarações ofensivas contra professores provocaram revolta, tumulto e suspensão da sessão.
O episódio expôs o quanto o debate político tem perdido a capacidade do diálogo respeitoso.


Em Porto Alegre, uma sessão terminou em forte constrangimento após um vereador retirar à
força o microfone utilizado por uma parlamentar durante seu pronunciamento. O episódio
gerou acusações de violência política de gênero e reacendeu o debate nacional sobre os
limites do comportamento dentro das instituições públicas.


Já na Câmara Municipal do Recife, divergências políticas provocaram uma discussão acalorada
entre lideranças políticas, exigindo intervenção para conter os ânimos. Em outros estados
brasileiros, situações semelhantes passaram a se repetir com frequência preocupante,
transformando sessões legislativas em verdadeiros campos de batalha verbal.

GUTO ESCOLHEU O DIÁLOGO


Foi observando exatamente esse cenário que a Câmara de Sanharó resolveu adotar uma
postura diferente. Em vez de alimentar o conflito, escolheu incentivar a paz. Em vez do grito, a
reflexão. Em vez do ódio, a tentativa de aproximação humana entre os representantes do
povo.


O gesto ganhou elogios entre os presentes na sessão inaugural da iniciativa. Muitos
classificaram o momento como emocionante, necessário e inspirador. Houve quem afirmasse
que, pela primeira vez em muito tempo, sentiu um clima de tranquilidade e respeito antes do
início dos trabalhos legislativos.


Para alguns moradores do município, ouvidos pela reportagem, a atitude representa mais do
que uma oração. Simboliza uma tentativa de resgatar valores que parecem cada vez mais raros
na política brasileira: educação, equilíbrio, tolerância e responsabilidade com a palavra. Afinal,
o parlamento municipal é o local onde se discutem os problemas reais da população e não um
espaço para rivalidades pessoais.


A proposta também reforça uma visão importante defendida pelo presidente da Casa:
divergências políticas são naturais e fazem parte da democracia, mas jamais podem
ultrapassar os limites do respeito humano. O debate firme pode existir sem agressão. A
divergência pode existir sem humilhação. A política pode ser intensa sem perder a civilidade.


O episódio vivido em Sanharó acabou contrastando fortemente com os acontecimentos
recentes registrados em diversas partes do país. Enquanto muitas câmaras municipais
enfrentam crises de convivência, o Legislativo sanharoense decidiu apostar numa cultura de
paz e harmonia institucional, valorizando o diálogo acima das provocações.


Mais do que uma simples oração, o Pai Nosso antes das sessões tornou-se um símbolo. Um
lembrete de que por trás de mandatos, partidos e discursos existem seres humanos. E talvez
seja exatamente isso que parte da política brasileira esteja precisando reencontrar: menos
ódio, menos espetáculo e mais humanidade.

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p (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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