PESQUEIRA | Cleide Oliveira deve se pronunciar nos próximos dias.
Projeto de Lei Pode Abrir as Portas de um Retorno Surpreendente. Ex-prefeita de Pesqueira pode ser beneficiada com a mudança nas regras de inelegibilidade; votação no Senado foi adiada, mas promete incendiar o cenário político nacional e local
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
Publicado em
Cleide Oliveira vai falar nos próximos dias. O silêncio que tem alimentado especulações deve ser quebrado em breve pela ex-prefeita de Pesqueira, personagem que voltou ao centro do debate político após o adiamento, nesta terça-feira, da votação do Projeto de Lei Complementar 192/2023 no Senado Federal. A sessão foi adiada, mas a matéria já tem presença garantida nas próximas reuniões do Plenário. O projeto, que muda a contagem dos prazos de inelegibilidade, pode abrir caminho para que Cleide volte ao jogo eleitoral em Pernambuco — e esse cenário movimenta o agreste como um terremoto.
A repercussão é gigantesca. A reportagem sobre o tema publicada na Revista Poder (site Flávio J Jardim) teve milhares de visualizações e incontáveis comentários, dividindo leitores entre esperança e indignação. Nas rodas políticas, não se fala em outra coisa: será que Cleide, depois de anos afastada, poderá disputar novamente uma eleição? A resposta depende dos senadores em Brasília, mas o suspense já provoca calafrios nos bastidores.
O PLP 192/2023, de autoria da deputada Dani Cunha (União-RJ), já aprovado na Câmara dos Deputados, propõe que o prazo de inelegibilidade passe a ser único: oito anos a partir de uma das seguintes datas — decisão judicial, eleição em que houve abuso, condenação por órgão colegiado ou renúncia ao cargo. O texto tem relatório favorável do senador Weverton (PDT-MA), mas encontra resistências. O senador Cleitinho (Republicanos-MG), por exemplo, acusa a proposta de enfraquecer a Lei da Ficha Limpa.
Na prática, a mudança significa que políticos condenados não teriam que somar diferentes períodos de inelegibilidade. O tempo passaria a ser contado de forma clara e objetiva, o que, segundo especialistas, pode reduzir drasticamente afastamentos que hoje ultrapassam décadas. É exatamente essa brecha que reacende o nome de Cleide Oliveira, que veria seu tempo de inelegibilidade encurtado e, portanto, teria a possibilidade de voltar às urnas já em 2026.
Em Pesqueira, a tensão é palpável. A ex-prefeita, que iniciou sua trajetória política como professora e sindicalista combativa, tem uma legião de apoiadores fiéis. Para muitos, Cleide foi a mulher que ousou desafiar o sistema, enfrentando as oligarquias e governando com coragem. Mas há também quem nunca a perdoou pelas polêmicas que marcaram sua gestão, enxergando nela o símbolo de um projeto político fracassado. A possibilidade de seu retorno reacende paixões e rancores.
Cleide é lembrada por episódios dramáticos, como o atentado sofrido em 2012, quando sua casa foi alvejada a tiros em plena campanha eleitoral. O ataque nunca foi totalmente esclarecido, mas consolidou sua imagem de personagem perseguida pela brutalidade da política pesqueirense. Esse histórico, somado ao tom explosivo do debate nacional, só amplia o interesse popular em torno de seu nome.
Nos bastidores, advogados eleitorais avaliam que a aprovação do PL pode, sim, beneficiá-la. A leitura é de que o novo marco jurídico teria aplicação imediata, inclusive sobre condenações anteriores. Se confirmada essa interpretação, Cleide estaria apta a disputar novamente — um cenário que transformaria o tabuleiro político local e obrigaria adversários a refazer cálculos e alianças.
O impacto não é apenas regional. A proposta de Dani Cunha, filha do polêmico Eduardo Cunha, provoca furor nacional, pois pode devolver protagonismo a dezenas de políticos banidos das urnas. O “trem da alegria”, como acusam os críticos, ameaça desfigurar a Ficha Limpa e gerar uma onda de retornos inesperados. A lista de beneficiados é extensa, mas, em Pesqueira, é o nome de Cleide que causa maior frenesi.
Para os aliados, seria a consagração da narrativa da “guerreira que renasce das cinzas”. Para os opositores, a volta de um “fantasma” que deveria permanecer enterrado. Em qualquer das visões, é impossível negar: a eventual aprovação do projeto em Brasília reacenderia com força total a chama política em Pesqueira.
O desfecho ainda está nas mãos do Senado, mas uma certeza já se impõe: Cleide Oliveira voltou ao centro da cena. Entre a esperança de uns e o temor de outros, o agreste respira expectativa. Nos próximos dias, quando a ex-prefeita quebrar o silêncio e se pronunciar, a cidade estará de olhos e ouvidos atentos. E a depender da decisão em Brasília, Pesqueira pode assistir a uma das maiores reviravoltas políticas de sua história.
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