PF PEDE INVESTIGAÇÃO DE PRISCILA KRAUSE NO STJ
Polícia Federal quer apurar repasses destinados a hospital ligado ao marido da vice-governadora de Pernambuco
Por Flávio José Jardim
atualizado há 2 horas
Publicado em
A vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause (PSD), entrou na mira de uma apuração que pode ganhar novos desdobramentos no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Polícia Federal encaminhou à Corte um pedido de autorização para investigar a gestora em razão de repasses de recursos públicos destinados à Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, unidade hospitalar que tem entre os sócios o empresário Jorge Branco Neto, marido da vice-governadora.
O pedido da PF foi formalizado por meio de ofício assinado pelo diretor-geral substituto da corporação, William Marcel Murad. Segundo as informações divulgadas, a investigação pretende aprofundar a análise sobre a destinação de recursos federais à unidade de saúde, que já vinha sendo alvo de questionamentos e auditorias.
De acordo com os documentos mencionados nas reportagens sobre o caso, denúncias apresentadas por deputados estaduais sobre possíveis irregularidades na aplicação de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS) foram incorporadas ao procedimento investigativo nº 2025.0127684, já em andamento. A partir disso, a PF decidiu solicitar ao STJ autorização para avançar sobre a apuração envolvendo a vice-governadora, que possui foro por prerrogativa de função.
A suspeita gira em torno de repasses feitos à Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro enquanto Priscila Krause exercia interinamente funções no comando do Executivo estadual. Segundo as informações divulgadas, aproximadamente R$ 3 milhões teriam sido destinados ao hospital nesse período. Ainda de acordo com os dados citados, a unidade recebeu mais de R$ 25 milhões em recursos ao longo de 2025.
O caso amplia a pressão política sobre o governo estadual porque envolve diretamente uma integrante da cúpula do Executivo e um hospital ligado à família da vice-governadora. A situação se torna ainda mais delicada porque a apuração também está sendo acompanhada pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus), que analisa suspeitas de superfaturamento em contratos e repasses feitos à instituição privada.
A movimentação da Polícia Federal eleva o caso a um novo patamar. Como Priscila Krause ocupa o cargo de vice-governadora, a autorização para investigá-la depende do aval do STJ, que deverá analisar se há elementos suficientes para abertura formal da apuração no âmbito criminal.
Em meio à repercussão, a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro divulgou nota pública afirmando que atua há 55 anos prestando serviços de alta complexidade à rede estadual de saúde e que já manteve contratos ao longo de 15 governos diferentes. A instituição sustenta que todas as contratações ocorreram dentro da legalidade, sem interferência política, e que os recursos recebidos tiveram como finalidade garantir o atendimento à população pernambucana.
O hospital também declarou que foi submetido a auditorias e procedimentos de fiscalização por órgãos como o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) e o próprio Denasus, sem que, segundo a nota, tenham sido apontadas irregularidades graves ou prejuízo aos cofres públicos.
Apesar da defesa apresentada pela unidade hospitalar, o caso deve continuar no centro do debate político e jurídico em Pernambuco. A eventual autorização do STJ poderá abrir uma nova fase de investigações sobre os repasses, o fluxo de recursos e a regularidade dos pagamentos realizados à instituição.
Até o momento, o pedido da Polícia Federal representa uma solicitação de autorização para investigar, e não uma condenação ou conclusão definitiva sobre a existência de irregularidades. Ainda assim, o episódio aumenta a tensão política no Estado e coloca a vice-governadora no foco de uma apuração sensível, com potencial de forte repercussão institucional e eleitoral.
Agora, a expectativa gira em torno da decisão do Superior Tribunal de Justiça. Caso a autorização seja concedida, a Polícia Federal poderá aprofundar a investigação e reunir elementos para esclarecer se houve ou não irregularidades na destinação dos recursos públicos ao hospital ligado ao marido de Priscila Krause.
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