Política

Prefeito que matou PM com 5 tiros diz que arma foi “presente” de um eleitor

TRAGÉDIA EM VAQUEJADA TERMINA COM POLICIAL MORTO A TIROS NO MARANHÃO. Disparos pelas costas e fuga cinematográfica: prefeito de 27 anos é acusado de homicídio brutal. Crime bárbaro em vaquejada choca o Maranhão e escancara o abismo entre poder e impunidade

Por Flávio José Jardim atualizado há 9 meses
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Prefeito que matou PM com 5 tiros diz que arma foi “presente” de um eleitor

O Brasil amanheceu estarrecido com mais um capítulo de violência envolvendo o poder público. O prefeito de Igarapé Grande (MA), João Vitor Xavier, de apenas 27 anos, confessou em depoimento à Polícia Civil que foi o autor dos disparos que mataram o policial militar Geidson Thiago da Silva, conhecido como “Dos Santos”, durante uma vaquejada no último domingo (6), na cidade de Trizidela do Vale.

 

O que mais choca, porém, não é apenas a frieza do crime — cometido com cinco tiros supostamente pelas costas — mas a origem da arma usada: segundo o próprio prefeito, o revólver havia sido um “presente” de um eleitor. A declaração bombástica consta no depoimento prestado nesta segunda-feira (7), quando João Vitor se apresentou espontaneamente à Delegacia de Presidente Dutra, acompanhado de advogados.

 

De acordo com o relato do prefeito, a arma foi dada a ele há dois anos e nunca foi registrada ou legalizada. Ainda segundo João, após o assassinato, ele "jogou" a arma no local do crime, mas até o momento o armamento não foi localizado. Câmeras de segurança obtidas pela polícia não mostram o prefeito descartando nenhum objeto — aumentando ainda mais as suspeitas sobre a real destinação da arma do crime.

 

A defesa tenta argumentar que João Vitor agiu em "legítima defesa", tese que até agora não se sustenta diante dos relatos de testemunhas e do conteúdo das imagens. Um vídeo já entregue às autoridades mostra o prefeito indo até um carro preto, supostamente pegando um objeto, e depois retornando ao grupo onde a confusão ocorria. Em seguida, é visto correndo de volta ao carro e fugindo do local.

 

Apesar da gravidade do crime, João Vitor não foi preso. Por ter se apresentado espontaneamente e não estar em flagrante, ele foi liberado após prestar depoimento, conforme explicou o delegado Ricardo Aragão, superintendente da Polícia Civil do Interior. A Polícia Civil tem até dez dias para concluir o inquérito e poderá solicitar a prisão preventiva do prefeito.

 

Como chefe do Executivo municipal, João Vitor possui foro privilegiado, o que significa que qualquer eventual julgamento ocorrerá em instâncias superiores — um privilégio que, mais uma vez, acende o debate sobre desigualdade de tratamento entre cidadãos comuns e autoridades públicas.

 

O crime aconteceu após uma discussão iniciada quando o PM pediu que o prefeito baixasse os faróis do carro, que estariam incomodando os presentes. O gesto aparentemente banal teria sido o estopim da tragédia. Testemunhas relatam que o prefeito foi buscar a arma em seu veículo, voltou ao local e atirou covardemente nas costas do policial, que estava de folga e desarmado.

 

A repercussão é nacional. O caso gerou revolta, protestos e uma cobrança incisiva por justiça. Enquanto a família do PM clama por respostas, a população do Maranhão e do Brasil assiste, indignada, a mais um triste retrato da violência cruzada com o abuso de poder. O povo quer justiça — e ela não pode ter partido nem cargo.

 

 

 

prefeito
prefeito (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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