Psicólogo é condenado a 71 anos por feminicídio no Recife
Crime brutal dentro de apartamento expôs histórico de violência e chocou jurados
Por Flávio José Jardim
atualizado há 6 meses
Publicado em
A Justiça pernambucana impôs uma das penas mais duras dos últimos anos ao psicólogo João Raimundo Vieira da Silva de Araújo, condenado a 71 anos de prisão pelo assassinato da administradora Renata Alves Costa. O crime, ocorrido em agosto de 2022, aconteceu dentro do apartamento da vítima, no bairro de Campo Grande, Zona Norte do Recife, e teve contornos de violência doméstica extrema.
O julgamento, que se estendeu por dois dias, foi marcado por forte carga emocional. A acusação apresentou documentos, fotos e conversas extraídas do celular da vítima para demonstrar um relacionamento marcado por controle, manipulação e agressões. Para os jurados, o conjunto de provas evidenciou um padrão de comportamento violento do réu.
Além do feminicídio, João Raimundo foi responsabilizado por sequestro, cárcere privado e tentativa de sequestro. A acusação também relembrou processos e boletins de ocorrência envolvendo outras mulheres, reforçando a tese de que o crime não foi um episódio isolado, mas o ápice de uma trajetória de violência.
A defesa reconheceu desde o início a possibilidade de condenação, mas contestou a dimensão da pena. Segundo a advogada do réu, recursos já foram apresentados e novos questionamentos devem ser levados ao Tribunal de Justiça e às cortes superiores. O objetivo é buscar eventual redução da sentença.
De acordo com as investigações, o psicólogo estava em prisão domiciliar quando cometeu o crime e teria rompido a tornozeleira eletrônica no dia do assassinato. Ele foi preso três dias depois, no aeroporto de Natal, tentando deixar o estado, o que reforçou a percepção de fuga e agravou a situação processual.
A decisão judicial encerra uma etapa do caso, mas deixa marcas profundas. Familiares da vítima destacam que a condenação representa justiça, embora não amenize a dor da perda. O episódio reacende o debate sobre a violência contra a mulher e a necessidade de mecanismos mais eficazes de proteção às vítimas em relações abusivas.
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