Sanharó de Luto: Jovem Morre Nove Dias Após Parto e Família Aponta Negligência Médica
Caso da adolescente Maria Jaqueline Leite Cintra comove Pernambuco e levanta suspeitas sobre atendimento em unidades de saúde do Agreste.
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
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O município de Sanharó, no Agreste de Pernambuco, amanheceu em luto com a notícia da morte da jovem Maria Jaqueline Leite Cintra, de apenas 16 anos, ocorrida nove dias após o parto do seu primeiro filho. O caso, que envolveu atendimentos em diferentes unidades de saúde da região, está cercado de comoção e indignação. Familiares acusam negligência médica e relatam uma série de falhas no acompanhamento pós-parto da adolescente, cuja saúde se deteriorou rapidamente após receber alta hospitalar.
Jaqueline deu entrada inicialmente no hospital de São Bento do Una na madrugada do dia 6 de abril. Após avaliação, foi encaminhada ao Hospital Regional Dom Moura (HRDM), em Garanhuns, onde realizou o parto vaginal no dia seguinte. Ainda no dia do parto, ela apresentou febre, mas, segundo os relatos, foi tranquilizada pelos profissionais de saúde, que atribuíram os sintomas a causas emocionais. No dia 8, recebeu alta e retornou para casa, mesmo continuando a sentir dores e febre.
A jovem continuou passando mal nos dias seguintes, sem melhora clínica. No sábado, 12 de abril, procurou novamente atendimento em São Bento do Una. Ainda assim, foi liberada. Apenas no domingo, 13, após nova ida ao hospital e avaliação mais criteriosa, foi identificada a possibilidade de infecção uterina por restos placentários. A gravidade do quadro exigiu transferência imediata para a FUSAM, em Caruaru, onde os exames confirmaram a infecção. De lá, seguiu para o Hospital Mestre Vitalino, onde faleceu na segunda-feira (14).
O caso repercutiu fortemente nas redes sociais e na imprensa local. A irmã da adolescente, Jaíne, desabafou publicamente sobre a dor da família e a frustração com o sistema de saúde. “Ela teve febre o tempo todo, e disseram que era só emocional. Mas ela estava piorando cada vez mais. A negligência matou minha irmã”, afirmou, emocionada. O bebê, filho de Maria Jaqueline, permanece com a família materna, que agora busca justiça.
O Hospital Regional Dom Moura divulgou nota oficial afirmando que o parto ocorreu sem intercorrências e que a paciente recebeu acompanhamento multiprofissional, não apresentando alterações relevantes durante a internação. A unidade reiterou estar à disposição da família para prestar esclarecimentos. Já a Polícia Civil informou que o caso foi registrado como "morte a esclarecer", e que as investigações continuam em andamento.
O falecimento precoce de Maria Jaqueline reascende o debate sobre a qualidade da atenção obstétrica no interior de Pernambuco. Casos como esse evidenciam a necessidade urgente de revisão de protocolos médicos, capacitação das equipes de saúde e humanização no atendimento às gestantes — especialmente adolescentes, que demandam cuidados ainda mais sensíveis. Sanharó e toda a região clamam por respostas e mudanças para que tragédias como essa não se repitam.
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