SANHARÓ EM DEFESA DA COMPESA
Presidente Guto do Salgado e vereadores se unem contra privatização: “A água é do povo, não é mercadoria”
Por Flávio José Jardim
atualizado há 6 meses
Publicado em
A Câmara de Vereadores de Sanharó viveu uma tarde de intensas emoções nesta quarta-feira, 15 de outubro. O plenário ecoou aplausos, discursos inflamados e um sentimento de resistência popular: os parlamentares da cidade, liderados pelo presidente Guto do Salgado, se colocaram frontalmente contra qualquer tentativa de privatização da Compesa. O debate, que já movimenta todo o estado, ganhou contornos de luta social no coração do Agreste.
Durante a sessão, vereadores usaram a tribuna para defender a permanência da Companhia Pernambucana de Saneamento como patrimônio público. “Não podemos permitir que o que é do povo seja entregue ao lucro privado”, declarou Guto, emocionado, em meio a manifestações de apoio. A fala arrancou aplausos e resumiu o sentimento de inquietação diante do contrato assinado pela governadora Raquel Lyra com o BNDES para estudar a concessão da empresa à iniciativa privada.
A revolta é justificada: a Compesa foi reconhecida como a melhor companhia de saneamento do país em 2020, e para os vereadores, vender uma empresa sólida e eficiente é um retrocesso. “Nosso povo já sofre com a seca e a falta de renda.
Imagina pagar mais caro pela água?”, questionou o vereador Iran Batista. O plenário concordou em uníssono que o Estado não pode abrir mão de um serviço essencial à vida.
Outros parlamentares lembraram que os servidores da Compesa enfrentam anos de desvalorização e perdas salariais, e que a solução para eventuais falhas não é a privatização, mas o investimento público e o diálogo. “Precarizar para depois privatizar é uma estratégia antiga e cruel”, denunciou o vereador Mô do Pagão, arrancando aplausos e gritos de “Compesa é do povo!”.
A ausência de diálogo por parte do Governo do Estado também foi duramente criticada. A vereadora Déa Lotero sugeriu que a população seja ouvida em um plebiscito municipal, para que o povo decida o destino da empresa que abastece suas casas. “Não é um assunto técnico, é humano. É sobre o direito à água, o direito à vida”, pontuou.
Ao fim, o plenário de Sanharó saiu unido. Em defesa da gestão pública da Compesa, vereadores prometeram encaminhar moção à Assembleia Legislativa, pedindo que os deputados estaduais se posicionem ao lado do povo. “Água não é mercadoria”, resumiu Guto do Salgado. “É vida — e vida não se vende.”
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