Política

SOB ATAQUE: CÂMARA DE SANHARÓ REAGE COM FIRMEZA E ERGUE VOZ CONTRA PROPOSTA QUE AMEAÇA A DEMOCRACIA LOCAL

Vereador Guto do Salgado lidera Voto de Repúdio e denuncia tentativa de enfraquecimento do poder legislativo municipal e do voto popular

Por Flávio José Jardim atualizado há 14 horas
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SOB ATAQUE: CÂMARA DE SANHARÓ REAGE COM FIRMEZA E ERGUE VOZ CONTRA PROPOSTA QUE AMEAÇA A DEMOCRACIA LOCAL

Em um movimento marcado por firmeza, indignação e defesa intransigente da democracia, a Câmara de Vereadores de Sanharó protagonizou um momento histórico ao apresentar um contundente Voto de Repúdio contra a proposta articulada pelo deputado federal Amom Mandel. A iniciativa, liderada pelo vereador Guto do Salgado, ecoa o sentimento de milhares de cidadãos que veem na medida uma ameaça direta à representatividade popular.

 

O documento, protocolado e defendido com veemência no plenário, não apenas critica a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), como também reafirma o papel essencial das câmaras municipais como pilares da democracia brasileira. Para os parlamentares sanharoenses, a proposta ultrapassa o campo das ideias e avança perigosamente sobre direitos conquistados ao longo de décadas.

 

No centro da polêmica está a intenção de substituir câmaras municipais por conselhos comunitários em cidades com menos de 30 mil habitantes. A medida, segundo o vereador proponente, representa um retrocesso institucional sem precedentes, ao fragilizar a autonomia dos municípios e reduzir o poder fiscalizador exercido pelos representantes eleitos pelo povo.

 

A reação da Câmara de Sanharó não foi apenas protocolar — foi emocional, política e profundamente simbólica. Cada palavra do Voto de Repúdio carrega o peso de uma história construída com participação popular, debates públicos e decisões tomadas à luz da legalidade e da transparência.

 

Os vereadores destacaram que o Legislativo municipal não é apenas um órgão administrativo, mas sim a voz direta da população, responsável por legislar, fiscalizar e garantir que os interesses coletivos prevaleçam. Retirar esse espaço é, na prática, silenciar comunidades inteiras.

 

A proposta do deputado ganhou ainda mais repercussão após declarações consideradas ofensivas, nas quais ele desqualifica o papel dos vereadores. Para os parlamentares de Sanharó, esse tipo de posicionamento não apenas desrespeita a classe política local, mas também atinge diretamente a população que escolheu seus representantes nas urnas.

 

Guto do Salgado, ao apresentar o requerimento, foi categórico ao afirmar que não se pode admitir ataques à democracia travestidos de propostas de modernização. Para ele, o verdadeiro fortalecimento das instituições passa pelo respeito ao voto popular e pela valorização do trabalho legislativo nos municípios.

 

A proposta também levanta preocupações quanto à precarização da representação política, ao prever mandatos sem remuneração fixa. Na avaliação dos vereadores, essa medida pode afastar cidadãos comprometidos e abrir espaço para interesses menos transparentes, enfraquecendo ainda mais o sistema democrático.

 

Outro ponto que gerou forte reação foi a tentativa de reduzir a estrutura das câmaras sob o argumento de economia. Para os parlamentares, essa narrativa ignora o papel estratégico do Legislativo na fiscalização dos recursos públicos, podendo, na prática, gerar mais prejuízos do que economia.

 

A Câmara de Sanharó também destacou que qualquer mudança estrutural dessa magnitude precisa ser amplamente debatida com a sociedade, respeitando os princípios constitucionais e a diversidade dos municípios brasileiros. Decisões unilaterais, especialmente vindas de realidades distintas, tendem a desconsiderar as necessidades locais.

 

O Voto de Repúdio será encaminhado não apenas ao deputado, mas também à Câmara dos Deputados e à Associação Municipalista de Pernambuco, ampliando o alcance da manifestação e fortalecendo a resistência institucional contra a proposta.

 

Ao final, o que se viu foi mais do que uma reação política: foi um grito coletivo em defesa da democracia, da dignidade dos legisladores municipais e, sobretudo, do direito do povo de ser representado. Em Sanharó, a mensagem foi clara — a democracia não será reduzida, nem silenciada.

 

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