Política

Terreiros em Festa: Pesqueira Celebra a Primeira Edição de Encontro Artístico e Cultural de Matriz Africana

Evento histórico acontecerá nos dias 24 e 25 de maio de 2025 no Terreiro Tenda da Jurema Raiz Sagrada Maria Mulambo das Almas e promete reunir tradição, arte e resistência ancestral.

Por Flávio José Jardim atualizado há 1 ano
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Terreiros em Festa: Pesqueira Celebra a Primeira Edição de Encontro Artístico e Cultural de Matriz Africana

A cidade de Pesqueira, localizada no agreste pernambucano, será palco de um evento inédito e profundamente simbólico: o I Encontro Artístico e Cultural de Terreiros de Pesqueira. Nos dias 24 e 25 de maio de 2025, o Terreiro Tenda da Jurema Raiz Sagrada Maria Mulambo das Almas abrirá suas portas para celebrar, fortalecer e dar visibilidade às expressões culturais e espirituais de matriz africana que resistem e florescem no interior do estado.

 

A iniciativa, mais do que uma celebração, representa um ato político, espiritual e artístico. O encontro se propõe como um espaço de escuta e partilha, onde tradições milenares dialogam com a contemporaneidade sem perder a raiz. Através de rodas de conversa, oficinas, apresentações culturais, toques e a presença de terreiros convidados, o evento quer fazer ecoar a força dos tambores e da oralidade ancestral.

 

“É um reencontro com a nossa história, com as nossas memórias mais profundas. Não se trata apenas de religiosidade, mas de cultura, arte, resistência e identidade", afirma Iago Josef, diretor geral do evento, que há anos atua no fortalecimento das manifestações de matriz africana na região. A direção artística fica por conta do juremeiro André Silva, enquanto a produção é assinada por Diogo Lopes.

 

O Terreiro Tenda da Jurema Raiz Sagrada, localizado no Loteamento Zé Rocha, será o epicentro dessa grande celebração. Conhecido por sua atuação firme na preservação da Jurema Sagrada e por ser um espaço de acolhimento e cura, o terreiro assume agora uma dimensão pública ainda maior. "A energia da Jurema nos guia nesse encontro que é também um retorno às nossas bases", diz Alef Santos, diretor executivo.

 

A realização do encontro só foi possível graças à seleção do projeto pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), em Pernambuco, com apoio do Governo do Estado e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (FUNDARPE). A parceria reafirma o compromisso com o reconhecimento e valorização das expressões culturais afro-brasileiras, tantas vezes invisibilizadas nos circuitos oficiais da cultura.

 

Pesqueira carrega uma forte herança afroindígena, e eventos como esse resgatam a importância de territórios culturais que sempre existiram à margem. “Esse encontro é sobre ocupar espaços, sobre dizer que estamos aqui, com nossa fé, nossa dança, nosso canto, nosso tambor. É sobre existir com dignidade", resume André Silva, que também atua como articulador cultural da região.

 

A expectativa é de que o evento atraia não apenas frequentadores dos terreiros locais, mas também pesquisadores, artistas, estudantes e curiosos interessados em conhecer de perto uma cultura tão rica quanto muitas vezes estigmatizada. A programação completa será divulgada nos próximos dias, mas já se sabe que contará com momentos de profunda imersão espiritual e artística.

 

O design gráfico do evento, assinado por David Marinho, reforça a proposta estética do projeto: cores da ancestralidade, grafismos inspirados nas simbologias dos terreiros e uma linguagem visual que conversa com as novas gerações, mantendo a tradição viva no presente. "É comunicação com alma", afirma David, que também é filho de terreiro.

 

Mais do que uma festa ou um espetáculo, o I Encontro Artístico e Cultural de Terreiros de Pesqueira será uma afirmação de axé, memória e pertencimento. Um grito coletivo de quem insiste em manter viva a chama das tradições afro-brasileiras, mesmo diante do preconceito e da intolerância. Pesqueira, agora, se prepara para dançar, cantar, rezar e resistir.

 

Que ecoem os tambores! Que falem os encantados! Que a Jurema floresça em cada gesto, em cada canto, em cada olhar. Em maio, Pesqueira será, mais do que nunca, solo sagrado da ancestralidade viva.

 

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t (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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