Política

Tragédia em Silêncio: Crime Choca Motel de Santo André

Casal com deficiência auditiva protagoniza episódio brutal que termina em morte com uma caneta como arma

Por Flávio José Jardim atualizado há 10 meses
Publicado em

Tragédia em Silêncio: Crime Choca Motel de Santo André

Uma cena insólita e perturbadora chocou a cidade de Santo André, no ABC Paulista, na tarde da última sexta-feira (11). Em um dos quartos do Motel Corpo a Corpo, um crime com contornos inusitados mobilizou a Polícia Militar após funcionários do local ouvirem gritos abafados por volta das 16h. A vítima, Camila Ramos Euzebio, de 37 anos, foi encontrada com diversas perfurações pelo corpo. O suspeito? Seu próprio companheiro, Jefferson Francisco Cervantes, também deficiente auditivo.

 

Ambos os envolvidos no episódio tinham deficiência auditiva e, segundo a Polícia, comunicavam-se por meio de libras. De acordo com o relato das autoridades, Jefferson teria utilizado uma caneta como arma improvisada para agredir a mulher. Os ferimentos estavam concentrados no pescoço, peito e cabeça da vítima, que foi encontrada caída no chão do quarto. Apesar das tentativas de reanimação realizadas pelo Samu, Camila não resistiu.

 

O crime é marcado por uma sucessão de eventos que ainda geram perplexidade. Quando os policiais chegaram ao local, Jefferson se recusava a abrir a porta da suíte. Após minutos de insistência, permitiu a entrada da equipe, que se deparou com a cena já descrita. O silêncio, comum em casos envolvendo deficientes auditivos, só aumentou o mistério e a carga dramática do episódio.

 

Em depoimento inicial, Jefferson afirmou que Camila teria entrado no banheiro sozinha e, momentos depois, ele a encontrou ferida no chão. A versão, no entanto, não convenceu a Polícia, especialmente diante das marcas de luta e ausência de qualquer sinal de lesão compatível com autolesão. A caneta utilizada como arma estava ao lado do corpo.

 

O caso foi registrado no 2º Distrito Policial de Santo André, e a investigação agora tenta entender o que motivou tamanha violência dentro de um ambiente reservado, onde apenas os dois estavam presentes. Não há, até o momento, registros anteriores de violência entre o casal. A perícia trabalha com a hipótese de um surto súbito ou briga passional.

 

O assassinato de Camila chama atenção não apenas pela brutalidade, mas por colocar em evidência a vulnerabilidade de casais com deficiência em situações-limite. O caso levanta debates sobre saúde mental, violência doméstica entre pessoas com deficiência e a necessidade de políticas públicas inclusivas e eficazes.

 

 

 

ca
ca (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 


 

Você precisa estar logado para comentar. Por favor, faça login ou crie a sua conta.

Ainda não há comentários para esta notícia. Seja o primeiro a comentar!

Veja também