Um Par de Meias e Mil Gestos: O Socorrista que Calçou a Dignidade de um Paciente
Vídeo comovente mostra profissional do SAMU oferecendo suas próprias meias a paciente com frio no Rio de Janeiro
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
Publicado em
Em tempos de frieza institucional, um gesto simples aqueceu o Brasil: um socorrista do SAMU, diante de um paciente com os pés gelados em uma maca na UPA da Cidade de Deus, tirou as próprias meias e as calçou no homem debilitado. O vídeo, que viralizou nas redes sociais, mostrou o que é ser humano antes de ser técnico.
O profissional foi reconhecido como Márcio Cojak, já conhecido por muitos usuários dos serviços de emergência como alguém "de coração grande e mãos rápidas". As imagens mostram Cojak abaixado, com cuidado e respeito, ajudando o paciente a vestir o que ele próprio ofereceu, sem saber que estava sendo filmado.
O gesto, espontâneo, provocou uma avalanche de comentários positivos. “É esse tipo de servidor público que precisamos multiplicar”, comentou uma internauta. “Ele já atendeu minha mãe! Sempre foi um anjo de verdade”, declarou outra.
Não houve anúncio, nem propaganda. Foi um gesto invisível que, ao ser captado por uma câmera anônima, ganhou o país.
Não se tratava de um protocolo, mas de empatia pura. Em meio ao caos das emergências, alguém teve tempo para olhar, sentir e agir.
A repercussão do vídeo trouxe à tona discussões importantes sobre a desumanização nos atendimentos de saúde. O gesto de Márcio mostra que o cuidado vai além do remédio ou do diagnóstico. Vai do olhar ao toque, da palavra ao calçado improvisado.
A atitude comoveu inclusive profissionais de outras regiões. Muitos relatam que esse tipo de ação é mais comum do que se imagina, mas raramente filmada. “Cuidar é uma vocação silenciosa”, disse um socorrista de Recife em comentário.
O vídeo não mostra o rosto do paciente, mas deixa claro seu desconforto, que é suavizado pela ação do socorrista. É a prova de que, muitas vezes, a salvação começa pelos detalhes. Pelas extremidades do corpo — e da alma.
Que o exemplo de Márcio Cojak não fique apenas no vídeo. Que inspire, forme, contagie. Porque onde houver frio e dor, a presença humana — mesmo com um par de meias — pode ser o que salva.
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