VEREADOR MATEUS LEITE | Saudade que Vira Legado. João Leite, Leitinho e Moacir
Amor fraterno, memória eterna e a homenagem emocionante do vereador Mateus Leite em Pesqueira
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 mês
Publicado em
PESQUEIRA (PE) - O céu parecia mais perto no último 21 de fevereiro. Para muitos, uma data comum. Para o vereador Mateus Leite, de Pesqueira, um dia sagrado de memória, saudade e amor eterno. Foi no silêncio do entardecer que ele escolheu abrir o coração e prestar uma homenagem que tocou profundamente a cidade inteira.
“Esperei o finalzinho do dia para trazer minha homenagem em lembranças”, escreveu. Não era apenas uma publicação. Era um desabafo. Um filho falando com o pai. Um neto falando com o avô. Um homem público revelando a alma.
Se estivesse em vida, seu pai, Felicíssimo Leite — o inesquecível Leitinho — teria completado 59 anos. A data também carrega outro peso: marca a partida do avô Moacir, que já soma 13 anos de saudade. Duas perdas, uma mesma lembrança, um mesmo amor.
Mateus recordou os dias na Fazenda Queimada da Onça como se fossem ontem. As botinas nos pés, o cheiro da terra molhada, o som de uma boa toada ecoando na velha caminhonete Asa Branca — o xodó do pai. Ele ao volante, ainda jovem. O pai atento. O avô tranquilo.
No banco da frente, entre conversas, conselhos e o cigarro aceso, aconteciam verdadeiras aulas de política e de vida. Ali, muito antes da Câmara Municipal, nascia um vereador. Não em palanques, mas no colo da família.
A ligação entre avô e pai era única. Cumplicidade sem igual. Dois homens simples, mas gigantes na maneira de servir ao povo. Para Mateus, mais do que referências públicas, eram porto seguro.
A homenagem publicada nas redes sociais se espalhou como um abraço coletivo. Comentários emocionados tomaram conta da internet: “O céu está em festa”, “Saudade eterna”, “Amor infinito”. Cada palavra reforçava que a dor é individual, mas a memória é compartilhada.
A cidade respondeu como quem reconhece a própria história. Porque falar de Leitinho e de Moacir é falar de Pesqueira. É falar de ruas visitadas, portas abertas, mãos estendidas.
“Amo vocês, meus velhinhos. Cantem juntos e olhem a gente aí de cima”, escreveu Mateus. Não havia discurso político. Havia filho. Havia neto. Havia fé.
A dor da saudade, quando é verdadeira, não paralisa. Transforma. E foi essa transformação que ficou evidente nas palavras do vereador.
Pesqueira perdeu, ao longo dos anos, nomes que marcaram sua história. Entre eles, Felicíssimo Leite, o Leitinho — homem de fala direta, coração aberto e compromisso firme com o povo.
Leitinho não fazia política de gabinete fechado. Fazia política de porta aberta. De resolver na hora. De ouvir antes de prometer. De agir antes de aparecer.
JOÃO ARAÚJO LEITE
Mas o legado da família Leite não começou ali. Ele tem raízes ainda mais profundas, fincadas na trajetória de João Araújo Leite, tio-avô de Mateus, ex-vereador e ex-prefeito, figura que marcou gerações.
João Leite era chamado por muitos de “pai da pobreza”. Não por retórica, mas por prática. Governava com o coração. Recebia o povo sem cerimônia. Fazia da política uma extensão da própria casa.
Ao lado dele, Leitinho consolidou uma trajetória igualmente respeitada. Se João era a base, Leitinho era a continuidade vibrante. Se um acolhia, o outro resolvia. Juntos, formaram um capítulo inteiro da história política de Pesqueira.
Moacir, o avô, era o elo silencioso dessa engrenagem familiar. Homem sereno, conselheiro, observador atento. Era dele a tranquilidade que equilibrava as decisões. Era dele o exemplo da firmeza sem arrogância.
Mateus cresceu nesse ambiente. Não herdou apenas um sobrenome. Herdou valores. Herdou a responsabilidade de representar um povo que aprendeu a confiar na família Leite.
Hoje, jovem vereador, ele carrega no olhar o brilho de quem sabe que pisa em solo sagrado. Cada votação, cada projeto, cada visita às comunidades carrega a memória dos que vieram antes.
“Espero orgulhar vocês e estar acertando mais que errando”, escreveu. É a frase que resume sua postura: humildade diante da missão, coragem diante dos desafios.
Nas ruas, muitos dizem: “Ele é a cara do pai”. Outros afirmam ver nele a firmeza de João Leite. Há quem reconheça no jeito sereno o traço de Moacir. Mateus é síntese. É continuidade.
A política que ele exerce não nasceu de estratégia eleitoral. Nasceu de conversas na caminhonete, de viagens à fazenda, de ensinamentos repetidos à mesa.
Num tempo em que a política muitas vezes se distancia das pessoas, Mateus insiste na proximidade. No aperto de mão. Na escuta atenta. No respeito às origens.
A saudade, que poderia ser apenas dor, virou combustível. O amor fraterno virou missão. A homenagem virou compromisso público.
E assim, entre memórias e responsabilidades, Mateus Leite segue escrevendo sua própria história — com os olhos voltados para o futuro, mas com o coração firmemente ancorado no passado.
Porque em Pesqueira, quando se fala em Leite, não se fala apenas de uma família. Fala-se de legado, de honra e de um amor que nem o tempo é capaz de apagar.
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