Política

ALAGOINHA | Quem mandou matar Ezinho?

O mistério sombrio que envolve a morte do vereador abala Alagoinha e expõe suspeitas de um jogo político mortal

Por Flávio José Jardim atualizado há 11 meses
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ALAGOINHA | Quem mandou matar Ezinho?

 

ezio
ezio (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

Alagoinha, cidade pacata e aconchegante, vive dias de tensão e silêncio quebrado apenas por cochichos. Desde o amanhecer desta quinta-feira (14), quando a Polícia Civil deflagrou uma operação que resultou na prisão de dois homens e na apreensão do celular de um vereador suplente, a pergunta ecoa nas ruas, bares e esquinas: quem mandou matar Ezinho — e por quê?

Ezio Galindo Cordeiro, conhecido por todos como Ezinho Construção, não era apenas mais um político. Empresário bem-sucedido, eleito para seu primeiro mandato em 2024 pelo Podemos, ele carregava consigo o peso das promessas de mudança.

 

 Mas no dia 26 de abril de 2025, a esperança deu lugar à tragédia. Ezinho foi alvejado a tiros em plena luz do dia, socorrido às pressas pelo Samu e levado ao Hospital da Restauração, no Recife. Horas depois, a notícia de sua morte paralisava a cidade.

 

A operação desta quinta-feira, conduzida com discrição e precisão, mexeu com as estruturas da política local. Dois homens foram presos — um deles assessor parlamentar — e um vereador suplente, agora sob suspeita, teve seu celular apreendido. As ações aconteceram em Alagoinha e também em Venturosa, deixando claro que o caso pode ir muito além das fronteiras municipais.

 

Um dos presos estava armado com um revólver calibre 38 e dirigia um carro com sinais de adulteração. O outro portava uma espingarda. Ambos negaram qualquer envolvimento com o homicídio, foram ouvidos pelo delegado responsável e liberados mediante pagamento de fiança. O material apreendido, entretanto, segue para perícia, e a polícia mantém em sigilo os detalhes que podem conectar essas peças ao quebra-cabeça da morte do vereador.

 

O celular do suplente de vereador, peça central da investigação, pode ser a chave para desvendar conversas, ligações e conexões. Segundo fontes ligadas ao caso, os investigadores acreditam que o aparelho podem guardar informações sensíveis sobre os bastidores da trama, mas o advogado de defesa diz que o suspeito “vai provar inocência”.  O político deverá comparecer à delegacia acompanhado de advogado nos próximos dias para prestar depoimento.

 

O crime, que já era grave por sua brutalidade, ganhou contornos de mistério político. Ezinho era visto como um homem de palavra firme e postura intransigente diante de certas práticas locais. Sua atuação na Câmara, embora recente, era destaque.

No dia do assassinato, Ezinho foi surpreendido por disparos certeiros. A execução, segundo peritos, teve características de ataque premeditado. Nada foi roubado. Não houve briga. Apenas tiros, rápidos, frios — e um corpo caído no chão.

 

Desde então, a cidade se divide entre a dor e a desconfiança. Enquanto aliados e familiares clamam por justiça, o silêncio de alguns incomoda. Para parte da população, a investigação começa a apontar para algo maior que um simples acerto de contas.

 

A Câmara Municipal de Alagoinha divulgou nota afirmando que acompanha de perto o caso e que a resolução é prioridade. Nos corredores do Legislativo, entretanto, o clima é de cautela.

 

O Podemos, partido de Ezinho, classificou o crime como “violência brutal” e destacou que ele era um símbolo de coragem e dedicação. Mas nem a nota oficial conseguiu aplacar a sede de respostas.

 

A cada novo movimento da polícia, cresce a expectativa por revelações. A possibilidade de que um crime político tenha sido cometido por alguém próximo ao poder local — talvez de dentro da própria engrenagem — é o que mais assusta.

 

Alagoinha, antes conhecida por suas festas, suas paisagens e pela vida simples, agora vive sob a sombra do medo. Há quem diga que, se a verdade vier à tona, ela pode abalar estruturas políticas que pareciam intocáveis.

 

O delegado responsável mantém a postura reservada, mas garantiu que novas prisões não estão descartadas. “Estamos seguindo todas as linhas de investigação”, afirmou, sem entrar em detalhes.

 

No comércio, nas feiras e nas rodas de conversa, o nome de Ezinho é pronunciado com pesar e revolta. O mistério em torno do mandante e dos reais motivos se mistura a um clima de desconfiança generalizada. Quem poderia ter tanto interesse em calar o vereador? Seria rival político? Seria vingança pessoal? Ou os dois?

 

Os próximos dias serão decisivos. O conteúdo do celular apreendido pode desencadear uma tempestade de revelações — ou nada revelar, abrindo novas ramificações na investigação.

 

Enquanto isso, a cidade aguarda. Uns com esperança de justiça. Outros com medo do que pode vir à tona. Todos com a mesma pergunta martelando na mente: quem mandou matar Ezinho?

 

E mais — se essa resposta vier, Alagoinha estará preparada para lidar com as consequências?

 

ADVOGADO DR JOÃO PRUDÊNCIO

 

O advogado criminalista Dr. João Prudêncio defende dois citados. Com um tom firme, João Prudêncio quebrou o silêncio e falou ontem (14) publicamente sobre o caso. Defensor de duas pessoas citadas durante as investigações, ele procurou o site para esclarecer que, ao contrário do que circulava em postagens e comentários inflamados, “ninguém está preso”. O advogado fez questão de frisar que seus clientes “estão até surpresos com as informações” e que permanecem tranquilos, convictos de sua inocência. “É preciso ter responsabilidade com o que se divulga”, alertou.

 

 

As declarações do advogado soam como uma tentativa de conter um incêndio alimentado pelo imediatismo das redes sociais. Na cidade, onde o crime do vereador ainda é assunto em cada esquina, a ação policial foi interpretada por muitos como o início de uma reviravolta no caso. Mas, para Prudêncio, há um abismo entre investigações e condenações. “A apuração é necessária, mas isso não significa que haja culpabilidade. Meus clientes não devem e não temem nada”, disse, em tom de defesa e advertência.

 

Para João Prudêncio, a ação deve se apoiar na serenidade e no compromisso com a verdade. Ele ressalta que o momento exige cautela e que o julgamento precipitado, muitas vezes alimentado por manchetes e postagens, pode destruir vidas inocentes. “A justiça tem seu tempo, e não é o tempo das redes sociais. Confio que tudo será esclarecido e que a verdade prevalecerá”, concluiu.

 

 

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ezio
ezio (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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ezio (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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