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Ângela Maria Cordeiro: a educadora que transformou a poesia em ponte para a vida e fez da cultura popular sua maior sala de aula

Professora, poetisa e escritora de Sanharó dedica mais de quatro décadas à educação, formando gerações de protagonistas e levando a literatura popular pelos palcos, escolas e eventos culturais do Agreste pernambucano

Por Flávio José Jardim atualizado há 9 horas
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Ângela Maria Cordeiro: a educadora que transformou a poesia em ponte para a vida e fez da cultura popular sua maior sala de aula

 

PRÓXIMO LIVRO
PRÓXIMO LIVRO (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

CAPA
CAPA (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

SANHARÓ (PE) - Há pessoas que ensinam conteúdos. Outras ensinam a viver. Em Sanharó, no coração do Agreste pernambucano, o nome de Ângela Maria Cordeiro de Melo tornou-se sinônimo de uma educação que ultrapassa os muros da escola para alcançar a alma de quem aprende. Professora, poetisa, escritora e defensora da cultura popular, ela construiu, ao longo de mais de quarenta anos na Rede Municipal de Ensino, uma trajetória marcada por sensibilidade, conhecimento e, sobretudo, pela missão de formar protagonistas das próprias histórias.

 

Desde o início de sua caminhada, Ângela compreendeu que educar era muito mais do que transmitir conhecimento. Em cada turma, em cada geração de estudantes e em cada faixa etária com a qual trabalhou, encontrou na poesia um caminho para despertar sonhos, fortalecer identidades e incentivar a criatividade. Seus versos, suas paródias e suas produções coletivas fizeram da palavra um instrumento de transformação social e humana.

 

Nas salas de aula, a literatura nunca esteve distante da realidade dos alunos. Pelo contrário. Ela brotou da cultura popular, das histórias do povo, das memórias sertanejas e das vivências do cotidiano. Assim, a professora fez da educação um espaço onde crianças, jovens e adultos descobriram que também podiam escrever, declamar, cantar e contar suas próprias histórias.

 

Sua voz ecoou muito além de Sanharó. Recitando poesias e compartilhando sua produção literária, Ângela percorreu cidades como Pesqueira, Arcoverde, Sertânia e diversos municípios da região. Em cada apresentação, levou consigo a riqueza da oralidade nordestina e a certeza de que a cultura popular continua viva quando encontra quem a preserve e a compartilhe com amor.

 

Entre tantas lembranças, uma ocupa lugar especial em sua memória. As crianças vestidas de vermelho que aparecem em antigos registros faziam parte da inesquecível Bandinha de Sucata, um projeto educativo que transformava materiais recicláveis em instrumentos musicais. Com elas, Ângela apresentou-se em Recife, na FABEJA e em diversas escolas municipais. Hoje, aqueles pequenos artistas cresceram, constituíram família e seguem a vida, mas permanecem como parte viva de uma experiência que marcou gerações.

 

A mesma emoção acompanha as fotografias das atividades recreativas realizadas ao longo de sua carreira. Para Ângela, cada criança que passou por suas mãos representa uma semente lançada no mundo. Muitas floresceram em diferentes profissões, outras seguiram caminhos distintos, mas todas carregam um pouco da educadora que acreditou em seus potenciais antes mesmo que elas próprias acreditassem.

 

Graduada e pós-graduada em Letras, Literatura e Cultura pela Faculdade de Formação de Professores de Belo Jardim (FABEJA), Ângela construiu uma sólida formação acadêmica sem jamais perder o vínculo com a cultura do povo. Sua intelectualidade sempre caminhou de mãos dadas com o cordel, a poesia declamada, a música popular e as manifestações culturais que fazem do Agreste um dos maiores celeiros culturais do Brasil.

 

Seu talento literário também ultrapassou as fronteiras da sala de aula. Suas poesias foram publicadas em sites, blogs, antologias e em um livro solo, presente recebido durante uma live do poeta, cantor e compositor pesqueirense Juninho Alves, entregue pelo poeta garanhuense e Capitão do Exército Brasileiro, Josenilson Leite. Um reconhecimento que simboliza o respeito conquistado por sua produção artística.

 

Ao longo dos anos, Ângela participou de importantes movimentos culturais da região. Foi integrante da Sociedade de Poetas e Escritores de Pesqueira (SOPOESPES), atualmente faz parte da Associação Pesqueirense de Literatura (ASPEL) e mantém presença constante em rodas de conversa, seminários pedagógicos, encontros literários, homenagens culturais, eventos de cordel, prosa e viola, além das celebrações do Dia do Escritor e inúmeras ações voltadas ao incentivo da leitura.

 

Sua presença também se tornou marcante no Arrasta Cultura, em Pesqueira, onde dividiu espaço com artistas, escritores e poetas da região, reafirmando seu compromisso com a valorização da produção cultural do Agreste. Participou ainda do Seminário Municipal de Boas Práticas Pedagógicas de Sanharó, da roda de conversa realizada na Escola Professora Alice, da Escola Doutor Sebastião Cabral, em Belo Jardim, além de integrar diversas coletâneas literárias e Antologias.  Agora, prepara um novo capítulo de sua trajetória com o lançamento do livro "Poesias que o Amor Escreveu".

 

Conhecida também pelo nome literário de "Açucena Nordestina", Ângela representa uma geração de educadores que compreende a cultura como ferramenta de transformação. Sua poesia nasce da terra, do povo, da fé, da esperança e da força das mulheres sertanejas. Cada recital, cada verso e cada aula reafirmam que a educação floresce quando encontra sensibilidade e compromisso.

 

Em tempos em que a sociedade busca referências capazes de inspirar novas gerações, Ângela Maria Cordeiro de Melo permanece como uma das grandes vozes culturais de Sanharó e do Agreste pernambucano. Sua história prova que um professor pode ensinar muito mais do que disciplinas: pode despertar sonhos, preservar a memória coletiva e transformar vidas. Depois de mais de quatro décadas dedicadas à educação, seu maior legado continua sendo exatamente aquele que sempre guiou sua caminhada: formar protagonistas de suas próprias histórias e mostrar que a cultura popular é, acima de tudo, um patrimônio vivo que se perpetua por meio daqueles que acreditam no poder da palavra.

 

EXEMPLO NA EDUCAÇÃO
EXEMPLO NA EDUCAÇÃO (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

UMA VIDA DEDICADA
UMA VIDA DEDICADA (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

RECONHECIMENTO
RECONHECIMENTO (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

 

ANGELA
ANGELA (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

CAPA 2
CAPA 2 (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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01 Comentário

Maria Alaide Alves

Comentou há 9 horas.

Orgulho em ser sua irmã, com certeza, nosso pai está feliz vendo seu sucesso! Arrasou...continue brilhando mana... Te amo!!!

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