Política

CASAS BAHIA FECHA AS PORTAS EM ARCOVERDE E AFOGADOS E APROFUNDA CRISE NO VAREJO

Rede encerra unidades no Sertão de Pernambuco em meio ao fechamento de 298 lojas e milhares de demissões; empresa agora enfrenta uma grave crise financeira

Por Flávio José Jardim atualizado há 19 horas
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CASAS BAHIA FECHA AS PORTAS EM ARCOVERDE E AFOGADOS E APROFUNDA CRISE NO VAREJO

O fechamento das unidades das Casas Bahia em Arcoverde e Afogados da Ingazeira, no Sertão de Pernambuco, acendeu um novo alerta sobre os rumos da tradicional varejista. As duas lojas estão entre as unidades atingidas pela mais recente rodada de redução da estrutura física da companhia, que fechou 298 estabelecimentos em todo o país e promoveu milhares de desligamentos. A medida surpreendeu trabalhadores e movimentou o comércio das duas cidades.

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Em Arcoverde e Afogados da Ingazeira, funcionários teriam sido comunicados sobre os desligamentos no momento do encerramento das atividades. Conforme relatos divulgados localmente, os trabalhadores receberam os valores devidos no processo de demissão, mas não teriam sido previamente avisados sobre o fechamento das unidades. Até o momento, porém, não foram divulgados os números específicos de empregados desligados em cada uma das duas cidades.

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A dimensão do corte nacional impressiona. A empresa já fechou 298 lojas e demitiu cerca de 1,9 mil trabalhadores, em uma ofensiva para reduzir custos e redimensionar sua operação. Informações divulgadas pela imprensa apontam ainda para a possibilidade de novos cortes, que poderiam atingir uma parcela significativa do quadro de funcionários, além do encerramento de outras unidades.

A crise, entretanto, ganhou uma dimensão ainda maior nesta segunda-feira (17). O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial, declarando aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas. O processo envolve diferentes empresas do grupo e representa uma tentativa de reorganizar as finanças, renegociar compromissos e preservar a continuidade das operações.

O cenário financeiro ajuda a explicar a dimensão da reestruturação. No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões, resultado fortemente influenciado por efeitos contábeis e medidas de reorganização. Mesmo desconsiderando esses efeitos extraordinários, o prejuízo ajustado chegou a aproximadamente R$ 978 milhões, mostrando que os problemas vão além de lançamentos contábeis.

A crise também atinge diretamente os trabalhadores. Relatos divulgados nacionalmente mostram funcionários surpreendidos com os desligamentos e demonstram o impacto emocional provocado pelo encerramento repentino de unidades onde muitos construíram

anos de suas carreiras. Um sindicato já anunciou que pretende recorrer à Justiça contra parte das demissões, questionando a forma como os desligamentos coletivos foram realizados.

Para Arcoverde e Afogados da Ingazeira, a saída das Casas Bahia representa também uma perda para o comércio local. Durante anos, as lojas funcionaram como pontos de venda conhecidos pela população e geraram empregos diretos e indiretos. O fechamento deixa espaços vazios no comércio e trabalhadores diante da necessidade de buscar novas oportunidades em um mercado regional que já enfrenta dificuldades.

O que começou como mais uma rodada de fechamento de lojas agora se transforma em um dos momentos mais delicados da história recente da companhia. Casas Bahia, uma das marcas mais conhecidas do varejo brasileiro, tenta sobreviver a uma crise bilionária enquanto reduz sua presença física e enfrenta a recuperação judicial. Em Pernambuco, Arcoverde e Afogados da Ingazeira estão entre as cidades que sentiram, na prática, os efeitos dessa turbulência.

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